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Ministro das Finanças de Portugal assume presidência de Eurogrupo

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Centeno recebeu o "sino do Eurogrupo" das mão de seu antecessor Jeroen Dijsselbloem ERIC PIERMONT / AFP

O novo presidente do Eurogrupo, o português Mario Centeno, prometeu nesta sexta-feira (12) em Paris dar continuidade com uma "profunda determinação" às reformas da área do euro, em resposta à demanda da França para obter "progresso" concreto" em 2018."O leque de oportunidades que atualmente temos, tanto política quanto economicamente, deve ser usado para completar as reformas das instituições que temos na área do euro", disse Centeno em uma breve cerimônia com seu antecessor holandês, Jeroen Dijsselbloem, na embaixada de Portugal, em Paris.


O governo francês imediatamente falou sobre suas prioridades: "O primeiro é avançar em questões concretas e fazer progressos rápidos no sindicato bancário, na união de mercado de capitais e na convergência fiscal", disse o ministro francês das Finanças, Bruno Le Maire, numa conferência de imprensa conjunta com Mario Centeno.

"Sobre esses três tópicos, acreditamos que a partir de 2018 devemos ser capazes de fazer progressos concretos e que a cúpula do bloco europeu prevista para março deve dar um primeiro passo", disse Le Maire, lembrando que o presidente francês Emmanuel Macron havia feito da reforma do grupo europeu uma prioridade do seu mandato.

"Nós saímos da crise, mas devemos admitir que o trabalho não está terminado", admitiu Centeno, depois de um encontro com o presidente Macron e o primeiro-ministro Édouard Philippe.

Alianças consolidadas

A posse de Centeno coincidiu com o anúncio de um acordo governamental entre os conservadores de Angela Merkel e os social-democratas alemães, que pretende "fortalecer" e "reformar" a zona do euro com a França para torná-la mais resistente às crises. "Estamos muito satisfeitos ao ver que isso está escrito na íntegra nos acordos prévios", disse Le Maire. A França e a Alemanha apoiaram a candidatura do ministro português como chefe do Eurogrupo.

Nas entrelinhas

Mario Centeno assumiu o cargo em Paris e não em Bruxelas "por razões práticas", disse uma fonte diplomática à AFP, acrescentando que a escolha da capital francesa foi feita de acordo com as escolhas do ex e do atual presidente do Eurogrupo e não de forma simbólica.

O comissário europeu, Pierre Moscovici, entrevistado pela AFP antes do anúncio de um acordo do governo na Alemanha, no entanto, viu "um sinal, sem dúvida, de que a França e a Comissão Europeia querem uma ofensiva em aprofundamento do bloco europeu e trabalhar com o novo presidente do Eurogrupo".

Por seu lado, Dijsselbloem comemorou que seu sucessor "tem um forte apoio no Eurogrupo para avançar as reformas e a modernização da moeda comum europeia".
Dijsselbloem, que deveria deixar seu posto depois de dois mandatos, simbolicamente entregou ao seu sucessor o "sino do Eurogrupo" que ele usou especialmente para a abertura das sessões.

Mario Centeno

Um novato político quando se juntou ao governo socialista português em novembro de 2015, esse professor de economia de 51 anos, sem uma afiliação partidária, tornou-se um dos responsáveis pelo sucesso econômico de seu país, que até então era um dos elos fracos da zona do euro.

Às vezes descrito como centrista ou liberal, ele rapidamente se tornou um dos pesos-pesados ​​do executivo do primeiro-ministro português, Antonio Costa, que chegou ao poder graças a uma aliança com a esquerda radical com base no desejo de "virar a página" da política de austeridade do anterior governo de direita.