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Nova política de asilo de Macron causa revolta em associações

Por Adriana Moysés

No momento em que o governo francês prepara uma nova lei sobre imigração e direito de asilo, a imprensa semanal chama a atenção para a divisão dos franceses sobre esse tema.

A revista L'Obs chegou às bancas com uma imagem forte do presidente Emmanuel Macron em preto e branco, cara de durão, envolto num cordão de arame farpado, símbolo da crueldade com que seu governo trata migrantes e refugiados. A L'Obs denuncia a arbitrariedade com que o Estado processa os pedidos de asilo, mesmo daqueles que teriam direito ao benefício de acordo com a legislação atual.

Já a revista L'Express mostra que 57% dos franceses não querem saber de acolher novos refugiados. "Ao demonstrar firmeza contra a imigração, Macron marca pontos ao lado da opinião pública", sublinha L'Express.

Algumas situações são chocantes. A L'Obs descreve o caso do afegão Mohammad Basir Ibrahimi. Durante dois anos, ele e outros 150 compatriotas trabalharam para as Forças Armadas francesas no Afeganistão. Ficaram marcados como traidores pelos rebeldes islâmicos talibãs. Quando a França não precisou mais dos serviços desses "ajudantes", Ibrahimi tentou obter asilo, mas teve seu pedido negado. Se permanecesse no Afeganistão, ele seria um homem morto. Por que a França não o acolheu? Segundo a L'Obs, por "cinismo e hipocrisia".

Personalidades denunciam falta de humanidade

Nas páginas da L'Obs, o prêmio Nobel de Literatura Jean-Marie Le Clézio (2008), o presidente da Cruz Vermelha francesa, o arcebispo de Marselha, historiadores, sindicalistas e um grande industrial francês, Louis Gallois, atualmente presidente da Federação dos Atores da Solidariedade (FAS), organismo que auxilia 900 mil migrantes e estrangeiros em situação irregular, condenam o discurso ambíguo de Macron.

O presidente defende acelerar o tempo de análise dos casos para facilitar as deportações, a fim de acolher com mais dignidade aqueles que têm o direito de ficar. As associações denunciam, no entanto, um tratamento desumano e arbitrário dos migrantes, como se fosse possível fazer uma triagem em meio a tantas tragédias pessoais.

No novo projeto de lei sobre o direito de asilo, o governo propõe aumentar de 45 para 90 dias o prazo de detenção dos migrantes nos centros de retenção. A dilatação do prazo vai facilitar a organização das deportações. Em contrapartida, os apátridas receberão uma autorização de permanência de 4 anos, em lugar de 12 meses atualmente. Outra medida criticada é a entrada de agentes nos centros de retenção para controle dos candidatos ao asilo, medida que já entrou em vigor em dezembro.

Apesar do apelo engajado do Nobel de Literatura e de outros atores solidários aos migrantes, uma pesquisa Ifop publicada pela revista L'Express mostra que os franceses apoiam a firmeza de Macron. Seis em cada dez entrevistados defendem o endurecimento da política de imigração; 64% julgam o número de refugiados muito elevado; 60% são contra a concessão do direito de voto aos estrangeiros; 57% querem acabar com o agrupamento de parentes de imigrantes e 66% querem abandonar o Acordo de Schengen, a convenção de abertura das fronteiras e livre circulação de pessoas entre 30 países europeus.

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