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Síria Armas Químicas Diplomacia

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Potências mundiais se unem em Paris para combater uso de armas químicas na Síria

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Representantes de 24 países reunidos em Paris chegaram a um acordo para tentar impor sanções contra o regime de Damasco. REUTERS/Philippe Wojazer

Representantes de mais de vinte países decidiram nesta terça-feira (24) pressionar para que sanções sejam impostas contra o uso de armas químicas na Síria. O anúncio foi feito durante um encontro em Paris, durante o qual o Secretário de Estado americano, Rex Tillerson, denunciou a "responsabilidade" da Rússia nesses ataques.


Os representantes de 24 países se comprometeram a compartilhar informações e a estabelecer uma lista de pessoas envolvidas no uso de armas químicas na Síria, onde a guerra deixou mais de 340 mil mortos. “Ontem novamente mais de vinte civis, a maioria crianças, foram vítimas de um ataque supostamente com cloro", disse Tillerson, em alusão direta aos 21 casos de asfixia registrados na véspera após um suposto ataque químico em uma cidade de Guta Oriental, um enclave rebelde a leste de Damasco.

"Seja quem for o autor desses ataques, a Rússia é em última instância responsável", disse o chefe da diplomacia americana durante esta conferência na qual foi lançada essa nova iniciativa internacional em resposta ao recente veto russo na ONU sobre o tema. "Simplesmente não se pode negar que a Rússia, ao proteger seu aliado sírio, descumpriu seus compromissos com os Estados Unidos como garantidora do marco" que supervisiona a destruição das reservas de armas químicas da Síria, segundo o acordado em setembro de 2013, acrescentou. Moscou já vetou o projeto de resolução para renovar o mandato dos especialistas que investigam o uso de armas químicas na Síria.

Tillerson e o chanceler francês Jean-Yves Le Drian também vão liderar um encontro de ministros para lançar as bases de uma iniciativa do presidente francês, Emmanuel Macron, que quer criar um grupo de contato sobre a Síria reunindo os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU e os países da região.

"Cloro, sarin, gás mostarda, VX, esses nomes da morte voltaram ao cenário internacional e com eles as terríveis imagens das vítimas dessas armas de terror", declarou Le Drian. "A situação atual não pode continuar", sentenciou o francês.

França congela ativos de empresas e executivos sírios

Paris anunciou antes da reunião que congelou os ativos de 25 empresas e executivos sírios, franceses, libaneses e chineses acusados de ajudar o regime sírio a desenvolver o uso de armas químicas. Trata-se principalmente de importadores e distribuidores de metais, eletrônicos e sistemas de iluminação domiciliados em Beirute, Damasco ou Paris.

No entanto, a lista não inclui autoridades do regime sírio. "Não temos elementos hoje que nos permitam iniciar esses procedimentos ao nível das autoridades políticas locais", admitiu o Ministério das Relações Exteriores francês.

Mais de 130 ataques com armas químicas

Apesar de sua promessa de destruir as armas, o regime sírio foi acusado em várias ocasiões de ter utilizado ataques tóxicos contra seu próprio povo.

Desde 2012 foram registradas pelo menos 130 ofensivas com armas químicas na Síria, segundo estimativas francesas. Os investigadores da ONU estabeleceram a responsabilidade do regime sírio em pelo menos quatro desses ataques, incluindo um com sarin que matou pelo menos 80 pessoas em 2017.

As negociações sobre a Síria sob o auspício da ONU serão retomadas nesta quinta-feira (25) em Viena.

Com informações da AFP