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Janeiro mais chuvoso do século leva a nova cheia do rio Sena em Paris

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Ponte próxima da Catedral de Notre Dame no centro de Paris. REUTERS/Philippe Wojazer

Ruas e estradas inundadas, navegação proibida, museus sob vigilância, moradores com os pés na água. O nível do rio Sena continua a subir nesta quinta-feira (25) na região parisiense, em uma enchente lenta que perturba a capital há vários dias.


Quatorze departamentos do nordeste da França estão em alerta de inundação, nesta quinta-feira, principalmente em torno da bacia do Sena e do Saône, os dois rios sob vigilância das autoridades. A chuva voltou, mas com menos intensidade, e não deve mudar as previsões de cheia do Sena, de acordo com Vigicrues, órgão que monitora o fenômeno.

"Esperamos um aumento máximo do nível da água este fim de semana, com uma altura entre 5,80m e 6,20m", indicou Bruno Janet, especialista em monitoramento de inundações. O nível é comparável ao dilúvio de junho de 2016 (6,10 m), mas muito longe do histórico de 1910 (8,63m).

Imagens mostram o nível do rio Sena antes e depois das chuvas dos últimos dias. REUTERS/Philippe Wojazer

Nesta manhã, o nível do Sena chegava a 5,44 m em Pont d'Austerlitz, no leste da capital francesa. Uma linha da Rede Regional Express (RER) que atravessa a capital francesa, fechada desde quarta-feira, permanecerá inativa pelo menos até 31 de janeiro. Outras estações de metrô poderiam ser fechadas, enquanto os museus do Louvre e d'Orsay – localizados à beira do rio - tomaram precauções para proteger as obras de arte.

Cheia deve levar dias até baixar

Os proprietários das embarcações ancoradas nas docas estão preocupados. "Estamos observando o barco para garantir que permaneça no leito do rio. O principal risco é que se aproxime do cais", explica Eric Merour, gerente de um barco-restaurante. Diante do aumento da água, a operadora Vias Navegáveis da França proibiu a navegação em certos rios, incluindo todo o Sena.

É "provável que o nível do Sena permaneça alto por vários dias na próxima semana", indicou Marc Mortureux, diretor para a prevenção de riscos do ministério da Transição Ecológica. O trimestre iniciado em dezembro tem sido o mais chuvoso desde o início das medições em 1900, de acordo com a Météo-France. Novas precipitações são esperadas nesta quinta-feira, especialmente na região central, mas principalmente sob a forma de neve.

Em Villeneuve-Saint-Georges, subúrbio sudeste de Paris, o rio Yerres transbordava nesta quinta, obrigando os moradores a se deslocar de barco nas ruas, onde os carros estavam parcialmente submersos. "Após as inundações de 2016, foram necessários quase dois anos de obras, que acabamos de terminar. Agora teremos de começar de novo", lamenta a moradora Akca, de 31 anos.

Mergulhadores da polícia usam um pequeno barco para ajudar moradores a sair de casa enquanto patrulham uma rua inundada de uma área residencial em Villeneuve-Saint-Georges na periferia de Paris. 25/01/18 REUTERS/Christian Hartmann

Outro ponto de preocupação: a região de Saône (leste), que sofre com a cheia do rio Doubs, colocado na segunda-feira sob vigilância vermelha. "Historicamente, cidades como Chalon-sur-Saone são parcialmente inundadas", disse Mortureux.

Com informações AFP