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Drama de alpinista que abandonou colega no Himalaia emociona a França

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A alpinista francesa Elisabeth Revol, no alto da montanha Nanga Parbat, no Himalaia. Reprodução Facebook

A alpinista francesa Elisabeth Revol, 37 anos, é reconhecida dentro do pequeno círculo europeu dos esquiadores de elite por ter sido a primeira mulher a alcançar o topo de três picos importantes do alpinismo mundial, com mais de 8 mil metros, em menos de 16 dias, e sem máscara de oxigênio.  No domingo (28), ela viveu uma tragédia que parou a França enquanto descia o Nanga Parbat, a nona maior montanha do mundo, no Himalaia.


Repatriada para a França nesta terça-feira (30), ela luta contra a possibilidade de uma amputação por congelamento na articulação dos dedos. Revol é há mais de 10 anos uma expert no chamado “Himalaísmo de inverno”, ou seja, a difícil escalada dos picos do Himalaia com temperaturas e clima absolutamente desfavoráveis. Com uma pulsação cardíaca invejável e uma alimentação rigorosamente orgânica e sem glúten, Elisabeth Revol sempre fez questão de não se descuidar dos mínimos detalhes. No último domingo, após haver conquistado o topo da perigosa montanha Nanga Parbat, ela se preparava junto com o colega polonês, Tomasz Mackiewicz, 43 anos, para descer o pico de 8.126 metros.

O russo Denis Urubko, a francesa Elisabeth Revol e o escalador Adam Bielecki na base do Diamir Face de Nanga Parbat, Paquistão, 28 de janeiro de 2018. Courtesy of Adam Bielecki fb.com/adambieleckiteam/Handout via RE

A tragédia começou no momento da descida, ou da desescalada, com uma sequência épica de fatos que culminou no salvamento da francesa. Revol e Mackiewicz comemoravam a conquista do Nanga Parbat após três tentativas anteriores frustradas. Mas, na noite de quinta (25) para sexta-feira (26), o polonês alertou por rádio via satélite que não estava bem, sofrendo de congelamentos em partes do corpo e da chamada oftalmia das neves, condição que prejudica a visão por causa da alta luminosidade da neve. Mackiewicz, pai de três crianças, também começou a apresentar sintomas de edemas cerebrais e pulmonares. Refugiado numa cratera a 7.280 metros de altitude, ele tinha a esperança de que os socorros terrestres pudessem alcançá-lo.

Nesse momento, Elisabeth tomou a dramática decisão de abandoná-lo e tentar descer a montanha, sem água e sem comida. Ambos os alpinistas são conhecidos por serem adeptos do “alpinismo leve”, sem garrafas de oxigênio, transportadores e outros equipamentos. Um helicóptero fretado pela embaixada da Polônia no Paquistão conseguiu decolar e recuperar a alpinista francesa, que foi transportada para um hospital em Islamabad. Como helicópteros não voam acima de 6.000 metros, foi impossível ajudar Tomasz Mackiewicz, que já é dado como morto, devido à situação de hipotermia e a altitude em que se encontrava.

Críticas

Nas redes sociais, uma enxurrada de críticas faz menção à decisão de Revol de abandonar seu companheiro polonês. Outros comentários saúdam a coragem e a determinação de Elisabeth Revol. Algumas mensagens mais ácidas criticam ainda a decisão arriscada dos alpinistas de subir o pico do Himalaia no inverno e os riscos assumidos por ela e seu companheiro.  

Mesmo se o estado de Elisabeth Revol se encontra estabilizado, sua saúde continua frágil. No momento em que foi hospitalizada em Islamabad, capital do Paquistão, as equipes médicas tentaram tratar um congelamento nos dedos dos pés e nas mãos, e a amputação não era descartada na segunda-feira (29). Após o seu incrível resgate, a alpinista começou outra corrida contra o relógio. Como o socorro paquistanês demorou quase 24 horas para encontrar os materiais necessárias para fazer uma perfusão na paciente e tentar recuperar a circulação nos membros. Uma eternidade nesse tipo de caso, onde cada minuto conta. Ela foi repatriada para a França nesta terça-feira (30) e encaminhada ao hospital de Sallanches, na região de Alta-Savoia, especializado em congelamentos de alpinistas, para tentar evitar as amputações.

Antiga ginasta

Uma antiga ginasta que se tornou uma professora de ginástica, Elisabeth Revol tem um impressionante currículo de alpinista. "Ela já participou de expedições arriscadas e viveu tragédias, e sempre começou de novo", escreveu no Twitter seu primo. Esta é a segunda vez que Revol perde um colega de equipe. Em 2009, seu companheiro de quarto, Martin Manarik, desapareceu enquanto subiam o pico Annapurna. Uma tragédia que a fez desistir do alpinismo até 2013, quando retomou as atividades, dessa vez no Himalaia.

Cerca de 30 alpinistas perderam a vida no Nanga Parbat, cujo nome significa “Montanha Nua”.

Assista o resgate: