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Teólogo islâmico Tariq Ramadan é detido após acusação de estupro

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O teólogo suíço Tariq Ramadan, acusado de estupro, está sendo ouvido pela polícia francesa. REUTERS/Stephane Mahe

O teólogo suíço, especializado em estudos islâmicos, Tariq Ramadan foi detido para averiguação nesta quarta-feira (31) em Paris. O intelectual é acusado de ter estuprado duas mulheres em 2009 e 2012, na França. 


A Procuradoria de Paris abriu uma investigação sobre o caso em outubro de 2017. Segundo seu advogado, Marc Bonnant, Ramadan foi convocado pela polícia e se entregou espontaneamente. A prisão provisória pode ser prolongada por 48 horas. O teólogo nega as acusações e chegou a prestar queixa por calúnia.

A principal acusação de estupro contra Ramadan foi apresentada no final de outubro por Henda Ayari. A mulher de 40 anos, ex-salafista que se tornou militante feminista e laica, havia revelado a agressão em 2016, em seu livro "Escolhi ser livre”. Na obra, ela se refere a um homem com o nome de Zoubeyr e narra um encontro em um quarto de hotel em Paris, onde o intelectual muçulmano tinha acabado de dar uma palestra.

"Por pudor, não darei aqui detalhes sobre o que ele me fez. Basta saber que ele se aproveitou amplamente da minha fragilidade", escreveu Henda Ayari. Ela assegura que quando se "rebelou" e "gritou para que parasse", foi insultada, "esbofeteada" e "estuprada". No final de outubro, após a onda de revelações de agressões sexuais desencadeadas pelo escândalo envolvendo o produtor de cinema Harvey Weinstein, ela decidiu revelar, em sua página no Facebook, que o homem que a agrediu era Tariq Ramadan.

A segunda acusação vem de uma mulher que não teve sua identidade revelada. Ela afirma que, como Henda Ayari, se encontrou com o teólogo após uma conferência em um hotel, desta vez em Lyon, e foi agredida e estuprada assim que entrou no quarto do suíço. Outras denúncias surgiram contra o professor na Suíça. Algumas das vítimas ainda eram menores de idade no momento da agressão.

Neto do fundador da Irmandade Muçulmana

Ramadan, de 55 anos, é neto do fundador da organização islâmica egípcia Irmandade Muçulmana. Ele era professor de estudos islâmicos contemporâneos na Universidade de Oxford, no Reino Unido, de onde foi afastado após o escândalo.

O teólogo foi, durante muito tempo, uma personalidade assídua nos programas de televisão e na imprensa. Popular no mundo muçulmano, ele é também muito criticado, especialmente nos meios laicos, que o veem como instigador do islã político.