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Onda de frio Neve Sem-teto

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Debaixo de neve, premiê francês tenta levar sem-tetos a abrigos contra o frio

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O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, conversa com os sem-teto nas ruas de Paris. 05/02/18 Reprodução @EPhilippePM

O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, teve uma insólita missão na noite de segunda-feira (5) em Paris: convencer, debaixo da neve incessante, os sem-teto a deixarem a rua e irem para abrigos improvisados. Ao menos 36 departamentos franceses seguem sob alta vigilância devido ao frio intenso até quarta-feira (7).


"Você é o primeiro-ministro? Não pode ser verdade! Deixa eu ver sua carteira!", declarou um surpreso sem-teto, ao ser cumprimentado por Edouard Philippe na noite de segunda-feira. O premiê saiu às ruas da capital francesa para prestar assistência, junto ao Samu, às pessoas que vivem nas ruas. As imagens foram publicadas em sua conta no Twitter.

Debaixo da neve e enfrentando temperaturas negativas, uma comitiva liderada pelo primeiro-ministro, tentou convencer sem-tetos a se proteger em abrigos de emergência criados pelo governo. A tarefa não é fácil: a maioria dos moradores de rua prefere recusar o convite. Os locais tem regras restritivas e proíbem, por exemplo, o consumo de bebida alcoólica e a presença de animais de estimação.

Política a longo prazo

O governo francês promete uma política a longo prazo a favor dos sem-teto, criando 50 mil alojamentos sociais permanentes. Mas, para Edouard Philippe, é preciso encontrar urgentemente soluções além dos planos de emergência. O premiê reconhece: "é complicado encontrar souções eficazes e duráveis".

Diante da estação de Austerlitz, no sudeste de Paris, o premiê também conversou com sem-tetos que vivem em barracas, principalmente romenos. "O jovem com quem eu falei tem diploma de técnico de eletricista, mas não quer voltar à Romênia, quer ficar ali, em sua barraca", explicou aos jornalistas, lembrando que muitos moradores de rua preferem alojamentos permanentes.

"Eles nos disseram que estão felizes", relata, incrédulo, o ministro francês da Coesão dos Territórios, Jacques Mézard. "Nosso combate é fazer o máximo para garantir um teto aos desfavorecidos. Vamos redobrar os esforços com a chegada desta onda de frio nesta semana", prometeu.

Já a prefeitura de Paris criou uma célula de crise para gerenciar os sem-teto durante a onda de frio. Mais de 670 leitos foram improvisados em ginásios, salas comunitárias e associações da região parisiense. Os novos alojamentos se somam às 103 mil vagas destinadas aos sem-teto abertas para o ano inteiro. Sem contar os 3.680 alojamentos de inverno já abertos, mas que funcionam apenas entre 1° de novembro e 31 de março.

Frio se intensifica na França até quarta-feira

Com a chegada de uma frente fria vinda da Escandinávia, as temperaturas começaram a cair no último fim de semana em toda a França. Na segunda-feira, a neve caiu em boa parte das regiões e em Paris, durante todo o dia.

O frio se intensifica nesta terça-feira (6), com quedas de temperatura que levaram 22 departamentos franceses a ativarem o plano "Grande Frio" de emergência. De acordo com o serviço nacional de meteorologia, Météo France, 36 departamentos seguem sob alta vigilância devido à queda de neve. De 15 a 20 centímetros de neve devem ser registrados em boa parte das localidades na parte centro e norte do território francês, inclusive em Paris, onde a Torre Eiffel está fechada nesta terça-feira devido às más condições meteorológicas.

As autoridades francesas pedem que os motoristas nao ultrapassem 80 km/h para evitar acidentes nas estradas. Já os caminhões de mais de 7 toneladas estão proibidos de fazer ultrapassagens e o acesso de algumas estradas foi fechado para os caminhoneiros. A SNCF, a companhia ferroviária nacional, também diminuiu a velocidade de seus trens nas regiões cobertas de neve. A medida provocou atrasos dos trens na manhã desta terça-feira.

As temperaturas devem permanecer negativas até pelo menos quarta-feira. No entanto, os meteorologistas garantem que o frio deve perdurar durante boa parte do mês de fevereiro, depois de um mês de janeiro com temperaturas amenas e atípicas para o inverno.