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França celebra Dia Mundial Sem Celular: “desconectar para pensar”

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O Dia Mundial sem Celular é comemorado em 6 de fevereiro. Pixabay

Colégios e liceus franceses celebram nesta terça-feira (6) o Dia Mundial Sem Celular, um assunto levado a sério no país e encampado pelo Ministério da Saúde. Crianças e adolescentes são incentivados a deixar o aparelho em casa para “colocar a cabeça para trabalhar”. Apesar da resistência de alguns alunos, a maioria aderiu à campanha e deixou o celular em casa, segundo relatos da imprensa francesa.


“Detox de celular”, anuncia o site de notícias FranceInfo, enquanto enumera diversos depoimentos de jovens estudantes que participam do “Dia Mundial Sem Celular”, incentivados por suas escolas. Na televisão francesa, o assunto dominou alguns programas na manhã desta terça-feira (6). O canal France 2, por exemplo, dedicou 45 minutos de sua grade com sugestões de belos lugares turísticos na França onde não é possível se conectar ao celular.

Segundo a ONG Agir pour l'Environnement (Agir pelo Meio Ambiente, em português), as associações desejam convocar a população a medir o grau de sua dependência a seus celulares. Segundo o instituto de pesquisas Ifop, 43% dos franceses entre 18 e 24 anos não conseguem se separar de seus aparelhos durante 24h. As ONGs francesas denunciam um “vício tão forte quanto o álcool e o cigarro”.

O jornal Le Monde pergunta no título de uma grande matéria dedicada à data em seu site: “E se a gente se desconectasse? ”. O periódico lembra que, atualmente, as crianças se conectam a dispositivos online desde os dois anos de idade e que, “no fim da vida, teremos passado mais de 100 mil horas conectados”.  

Dependente de informações, Brasil é quarto país mais conectado do mundo

O psiquiatra Patrick Lemoine, entrevistado pelo jornal, lembra que a nomofobia – o medo de ficar separado de seu celular – pode até se transformar em outra síndrome dos tempos modernos, a famosa FOMO, Fear Of Missing Out, na sigla em inglês, ou medo de ficar sem as últimas notícias importantes. “Desde quando nascemos, somos dependentes de informação”, lembra Lemoine. “Queremos saber onde está a pessoa que nos alimenta, ou que nos protege”, diz.

Os especialistas entrevistados por Le Monde apontam uma série de consequências perigosas do abuso do celular como supressão dos limites horários, (uma vez que o tempo virtual é estendido para além do local de trabalho) a insônia, o estatismo (não sair da frente da tela do celular), a hiperexcitação mental, o cansaço crônico e até mesmo a depressão. Segundo estes parâmetros, a pessoa pode ser considerada viciada se o tempo de conexão ao celular for maior do que três horas diárias.

Um estudo conduzido pelo grupo MillwardBrown em mais de 30 países do mundo, com cerca de 120 mil pessoas entrevistadas, demonstrou que somos expostos a todo tipo de telas digitais por mais de sete horas por dia, sendo duas horas e meia dedicadas ao celular. Segundo o mesmo documento, o Brasil é o quarto país do mundo mais conectado ao celular com 7,9 horas por dia, atrás apenas da Indonésia (1° lugar, 9h/dia), das Filipinas (2° lugar, 8,8h/dia) e da China (3° lugar, 8h/dia).