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Um pulo em Paris
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França também celebra carnaval, com polêmica racista e medo de terrorismo

Por Silvano Mendes

A França tem dois carnavais importantes: o de Nice, na Côte d’Azur, e o de Dunkerque, quase na fronteira com a Bélgica. No evento do sul do país, a prioridade é a segurança, principalmente após o ataque terrorista de 2016 na cidade. Mas outros aspectos, como a denúncia de práticas racistas nos bailes carnavalescos, também têm agitado os preparativos.

O carnaval de Nice começa no dia 17 de fevereiro e vai até 3 de março. Durante três fins de semanas, cerca de meio milhão de pessoas devem visitar a cidade do sul da França para assistir os tradicionais desfiles de carros alegóricos, que esse ano têm como tema “Viagem ao espaço”.

As autoridades locais prepararam um forte esquema de segurança, já que Nice foi alvo de um atentado em 14 de Julho de 2016, quando um caminhão atravessou o calçadão da praia, matando 86 pessoas e deixando outras 200 feridas durante as comemorações do feriado nacional. O desfile de carros alegóricos tradicionalmente acontece no Passeio dos Ingleses, a mesma avenida beira-mar palco do ataque terrorista.

Este ano, como já foi o caso em 2017, a prefeitura preferiu transferir a festa para um local fechado, cercado com altos tapumes, com detectores de metal na entrada, vistorias, e muitos policiais, inclusive à paisana. As autoridades preferem manter em segredo o número de agentes mobilizados, mas já se sabe que € 6 milhões (cerca de R$ 24 milhões) foram gastos apenas com o esquema.

Assistir aos desfiles nas arquibancadas sempre foi pago em Nice (entre €21 e €40, de R$ 80 a R$ 160), mas a população podia aproveitar a festa das calçadas, gratuitamente. Porém, com a transferência da celebração para um local fechado, a entrada passou a ser paga para todos e os ingressos mais baratos custam € 5 (cerca de R$ 20).

Arremesso de peixe é tradição em Dunkerque

Já em Dunkerque, no norte da França, o carnaval começou em janeiro e vai até 8 de abril. Muito mais popular que a festa de Nice, a celebração é composta por bailes nos fins de semana, mas principalmente por desfiles em blocos nas ruas da cidade de menos de 100 mil habitantes.

Muito animada, a festa de Dunkerque conta com rituais pitorescos, como o arremesso de arenque, que acontece neste domingo (11). Segundo a tradição, o prefeito da cidade joga, pela janela do prédio da prefeitura, cerca de 500 kg desse peixe do mar do norte, embalada em sacos plásticos.

O arremesse do arenque é uma tradição que remete às origens da festa, que teve início no século 17. Na época, a cidade portuária organizava uma grande celebração para os marinheiros, pouco antes deles saírem em expedição de pesca de bacalhau, durante seis meses, no mar da Islândia.

Blackface em baile de carnaval

Outra tradição, mais recente, é a da “Nuit des Noirs” (noite dos negros), uma festa organizada quase no final do carnaval de Dunkerque. Durante o evento, que esse ano está previsto para 20 de março, os foliões pintam os rostos de preto e se fantasiam com saias de palha e colares de ossos, numa caricatura remetendo ao clichê sobre os canibais.

A festa, que existe há 50 anos, é alvo de fortes críticas e acusações de racismo desde dezembro passado, principalmente por causa do uso do “blackface”. Esse costume foi popularizado nos cabarés norte-americanos segregacionistas, no final do século 19, quando atores brancos usavam maquiagem para se passar por negros.

Os opositores pedem a anulação da festa e ameaçam atrapalhar o evento caso ele seja realizado. A prefeitura diz que se trata de uma manifestação privada e, até agora, preferiu não intervir. Os organizadores retiraram todas as publicidades das redes sociais e adotaram a discrição, mas afirmam que não pretendem cancelar a tradição.

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