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Cerimônia do César será marcada por protestos contra agressões sexuais, destaca Libération

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Capa do jornal Libération desta quarta-feira (28): "Sofremos. Morremos. Agora agimos". Reprodução/Libération

A exemplo das últimas premiações do cinema, como o Globo de Ouro e o Bafta, o Oscar do cinema francês - o César -, que será realizado na sexta-feira (2) em Paris, será marcado pelo movimento das mulheres contra o assédio sexual. Esse é o principal assunto do jornal Libération desta quarta-feira (28), que traz atrizes, cineastas e produtoras francesas estampadas em sua capa, com a manchete: "Sofremos. Morremos. Agora agimos".


Nada do dress code preto, a exemplo do que aconteceu na cerimônia do Globo de Ouro, em janeiro, e do Bafta, há poucos dias. O jornal Libération destaca que, mais de 130 diretoras, produtoras e atrizes francesas - lideradas pelas estrelas Tonie Marshall et Julie Gayet - decidiram se engajar contras as violências às mulheres, sob a coordenação da Ong francesa Fundação das Mulheres. Assim, na cerimônia do César, os participantes serão convidados a utilizar uma fita branca, similar à fita vermelha, do combate contra a Aids.

Entre os principais nomes do movimento, estão estrelas como Diane Kruger, Chiara Mastroianni, Vanessa Paradis, mas também Héloïse Letissier, cantora do grupo Christine and The Queens, e a premiada escritora Leila Slimani.

Financiar processos contra agressores

O objetivo é angariar doações para as mulheres que, muito além da liberação da palavra, enfrentam os assediadores nos tribunais. A ideia - explica Anné-Cécile Mailfert, presidente da Fundação das Mulheres, é aproveitar a visibilidade das atrizes e diretoras para ajudar todas as que sofrem com as agressões sexuais em todos os setores da sociedade. A questão é urgente, diz a militante, em entrevista ao Libé, lembrando que a França registrou uma alta de 12% nos casos de estupros entre 2016 e 2017 e 10% nos casos de assédio sexual, no mesmo período.

O movimento é uma evolução do #MeToo, chamado de #EntregueSeuPorco na França, e se inspira no Time's Up, criado por 300 personalidades de Hollywood, que conseguiram arrecadar mais de US$ 20 milhões de dólares para as vítimas de estupro e assédio sexual. Afinal, como lembra a presidente da Fundação das Mulheres, o Twitter, utilizado por milhares de mulheres em todo o mundo para denunciar seus agressores, não é tribunal e os processos na Justiça custam caro. Por trás do incentivo para que as mulheres não deixem os casos de violência passar em branco, a ajuda financeira às vítimas também é essencial, lembra a militante.

Libération apoia a iniciativa

Em editorial, o redator-chefe do Libération, Laurent Joffrin, explica que o jornal também se engaja à iniciativa. Segundo ele, se as atrizes do caso Harvey Weinstein lideraram as denúncias contra o machismo e a violências às mulheres, as atrizes francesas exigem agora ações.

De acordo com o Libé, entre um terço e a metade das mulheres interrogadas em pesquisas de opinião na França, realizadas após a popularização do movimento #MeToo, já sofreram assédio, agressões sexuais ou foram estupradas. Um serviço de atendimento e apoio por telefone colocado à disposição das francesas recebeu 8 mil ligações apenas em 2017. "Falar foi o primeiro passo. Mas agora é tempo de agir", preconiza Joffrin.