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Fotografia Marine Le Pen Justiça Processo Grupo Estado Islâmico

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Justiça indicia Marine Le Pen por tuítes com imagens violentas do EI

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Marine Le Pen na Assembleia Nacional, em Paris, em 20 de fevereiro de 2018. REUTERS/Gonzalo Fuentes

Marine Le Pen, presidente do partido de extrema-direita Frente Nacional (FN), ex-candidata à presidência francesa, foi indiciada nesta quinta-feira (1) pelo Tribunal de Nanterre, na região parisiense, por ter postado imagens violentas do grupo Estado Islâmico (EI) em sua conta no Twitter, no final de 2015.


As penas previstas para este tipo de delito, em caso de condenação, são de até 3 anos de prisão e multa de € 75.000, cerca de R$ 300.000,00. As fotos publicadas por Le Pen mostravam um soldado sírio atropelado por um tanque de guerra, um piloto jordaniano sendo queimado vivo dentro de uma jaula e o corpo do jornalista americano James Foley, com a cabeça decapitada sobre suas costas.

A líder de extrema-direita tuitou essas imagens em 16 de dezembro de 2015 para responder a alegações do jornalista Jean-Jacques Bourdin, do canal BFMTV-RMC, que tinha comparado o partido extremista à organização ultrarradical sunita. No texto que acompanhou as fotos, ela escreveu que o paralelo era um "deslize inaceitável", uma comparação "imunda". "Daech é isso", tuitou Le Pen para o jornalista.

Na época, a líder de extrema-direita exercia mandato de deputada no Parlamento Europeu. Por outro lado, os franceses estavam fortemente abalados pelos atentados de 13 de novembro de 2015, quando 130 pessoas morreram na série de ataques a cafés e à casa de espetáculos Bataclan, em ações reivindicadas pelo grupo Estado Islâmico.

"Ganharia medalha em outro país", diz Le Pen

Ao tomar conhecimento de seu indiciamento, Le Pen disse que será processada "por ter denunciado os horrores de Daech" (acrônimo em árabe do grupo Estado Islâmico). "Em outros países, eu ganharia uma medalha", afirmou, acrescentando que "a perseguição política perdeu o limite da decência" na França.

Outro deputado do FN, Gilbert Collard, também divulgou uma foto ultraviolenta do grupo jihadista – um homem com o crânio destruído em uma poça de sangue. Dirigindo-se ao mesmo jornalista, Collard escreveu: "Bourdin compara o FN a Daech: o peso das palavras e o choque dos intelectuais". Ele também é alvo de um inquérito em Nanterre.

Desde março de 2017, Le Pen perdeu a imunidade de eurodeputada. O Parlamento Europeu suspendeu o benefício a pedido da justiça francesa, que investiga várias denúncias contra a líder populista.