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França Julgamento Chacal Revolução Atentado

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“A revolução é minha profissão”, diz Carlos, o Chacal, no início do julgamento

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Ilich Ramirez Sanchez, Carlos, em seu processo em Paris, no dia 28 de março de 2017 Benoit PEYRUCQ / AFP

Começou nesta segunda-feira (5) em Paris o julgamento do venezuelano Ilich Ramírez Sánchez, conhecido como "Carlos, o Chacal”.


Em 2017, Chacal já havia sido condenado à prisão perpétua por um ataque em setembro de 1974 contra uma galeria comercial situada no boulevard Saint-Germain, no centro de Paris, que deixou dois mortos e 34 feridos. Segundo a Promotoria, a ação visava acelerar a libertação de um militante japonês da FPLP (Frente Popular da Liberação da Palestina), grupo armado do qual Chacal fazia parte.

Figura emblemática da luta pró-palestina nos 70 e 80, Chacal nunca negou seu passado. Em sua última passagem pelo tribunal, no ano passado, ele reivindicou ser o autor de ataques que deixaram mais de 1500 mortos, sendo que 80 ele matou com “suas próprias mãos”. No entanto, sempre negou sua participação no atentado à galeria.

Vestido de preto, Ramírez Sánchez, hoje com 68 anos, entrou na sala de audiências erguendo o punho direito, em atitude desafiadora, antes de jogar um beijo para os jornalistas. Sentado no banco dos réus atrás de um vidro, ele se apresentou aos juízes como um "revolucionário profissional", de nacionalidade venezuelana e palestina. “A Revolução é minha profissão”, declarou.

Conversão ao Islã

O julgamento, o último do ex-ativista, deve durar duas semanas. O Tribunal especial é formado por juízes especializados em crimes terroristas. Ele já enfrenta duas condenações à prisão perpétua por um triplo homicídio em 1975, em Paris, e por quatro atentados com explosivos nos anos 1980, que deixaram 11 mortos e 191 feridos.

Preso na penitenciária de Fresnes, na região parisiense desde 1994, Chacal foi detido neste mesmo ano no Sudão. Ele vivia no país desde 1991, depois de ser expulso pelas autoridades sírias de Damasco, onde vivia desde 1985 com sua mulher, Magdalena Kopp, com quem teve uma filha. Em 2001, ele se casou com sua advogada, Isabelle Coutant-Peyre, e se converteu ao Islã em 2003. Chacal chegou até mesmo a publicar um livro na prisão, cujo título é o “Islã Revolucionário”.