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Revista revela reorganização da rede de espionagem francesa

Por Adriana Moysés

A revista semanal Le Point chegou às bancas esta semana prometendo revelar "segredos" do serviço secreto francês e de sua rede de espiões. A reportagem de capa lembra um princípio que deveria estar na cabeça de todos os dirigentes: "governar significa prever". Segundo a Le Point, o presidente Emmanuel Macron compreendeu rapidamente essa premissa e, na qualidade de chefe das Forças Armadas, "prepara uma nova geração de ferramentas militares que farão o aparelho de espionagem francês entrar em uma outra dimensão".

A nova lei de programação militar para o período de 2019 a 2025 prevê investimentos em equipamentos essenciais a um serviço secreto que se preze, para garantir as atividades de filmagem, escuta, interceptação de comunicações, exploração do ciberespaço, defesa cibernética, além da contratação de espiões, informantes e analistas de inteligência.

Os olhos e as orelhas do presidente francês serão abastecidos com as informações enviadas por uma constelação de cinco novos satélites, dois deles integrados ao Programa Europeu de Imagem Espacial. Macron também irá contar com três aviões Falcon modelo Cuge, dotados de tecnologias de observação e escuta para guerra eletrônica; sete drones, incluindo cinco de patrulhamento e outros dois com câmeras térmicas e armas a laser; um novo sistema de fusão e de tratamento de informações para transmissão do terreno de guerra; dois aviões de reconhecimento e um navio de inteligência.

A prioridade da França, nos próximos anos, é reforçar sua capacidade de defesa cibernética, nos planos ofensivo e defensivo. Por isso, dos 6 mil novos empregos que o governo irá criar nos serviços secreto e de inteligência, a maior parte será na área de análise da informação. O conhecimento humano associado à nova geração de ferramentas militares deve ajudar as Forças Armadas em seu planejamento estratégico e antecipação das ações, explica a revista Le Point.

Segredos de espiões

Em um conjunto de reportagens, a publicação reproduz trechos do recém-lançado "Dicionário da Inteligência", da editora Perrin, escrito por dois ex-oficiais da área. O livro revela a vida romanesca do general Philippe Rondot, codinome Max, um dos maiores espiões da França nas últimas décadas, morto em dezembro passado. Seu terreno de jogo era o Oriente Médio, mas os leitores da Le Point descobrem igualmente que ele atuou durante vários meses para impedir que militantes do Greenpeace chegassem com o navio Rainbow Warrior até o atol de Mururoa, na Polinésia, palco de 193 testes nucleares franceses, incluindo a explosão de uma bomba atômica. O navio acabou afundado pelos serviços secretos franceses em 1985.

A revista Le Point encerra seu dossiê com um texto no qual questiona se na era dos smartphones, da geolocalização e das redes sociais, tornou-se missão impossível permanecer secreto. O autor da reportagem conta que, no mês passado, um grupo de agentes franceses foi identificado numa rede social de esportistas chamada Strava, quando deixava o quartel para uma corrida a pé nas redondezas. Outros tiveram de ser afastados por não terem conseguido apagar o perfil profissional no LinkedIn.

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