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Assassinato de idosa em Paris será investigado como crime antissemita

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Cena da operação contra judeus na noite de 15 a 16 de julho de 1942, em Paris. (Foto de ilustração) Antoine Gyori/Corbis/Getty

A polícia francesa investiga se o assassinato brutal de uma idosa de 85 anos, que escapou de ser enviada aos campos de concentração nazistas, teve motivação antissemita. O crime aconteceu na semana passada, em Paris, e provoca grande emoção no país.


Dois suspeitos foram indiciados na madrugada desta terça-feira (27) por "homicídio doloso" de caráter antissemita e "roubo com agravante" e tiveram a prisão preventiva decretada, segundo informaram as autoridades. Um deles é vizinho da vítima, um homem de 29 anos, e costumava visitá-la regularmente. O outro detido, um jovem sem-teto de 21 anos, é amigo dele. Segundo fontes que acompanham a investigação, eles teriam aproveitado da fragilidade da vítima para executar o roubo.

Mireille Knoll foi encontrada morta em seu apartamento no 15° distrito de Paris na última sexta-feira (23). Seu corpo estava parcialmente queimado e tinha várias marcas de facadas. Os suspeitos também atearam fogo no apartamento.

Macron: crime "terrível"

Mireille escapou da grande operação conhecida na França como "Rafle de Vel d'Hiv", quando milhares de judeus foram detidos durante a Segunda Guerra Mundial e enviados para os campos de concentração nazistas entre os dias 16 e 17 de julho de 1942. O presidente Emmanuel Macron qualificou o crime como "terrível" e reafirmou sua determinação em lutar contra o antissemitismo no país.

Vários elementos levaram a promotoria de Paris a investigar o crime como antissemita. O vizinho de Mireille Knoll, já conhecido por roubos e agressões sexuais, sabia da religião da vítima e, segundo seu cúmplice, teria gritado "Allah Akbar" em árabe (Deus é grande, em português) durante a ação. A expressão, uma reverência a Deus muito utilizada pelos muçulmanos, tem sido usada por jihadistas em ações terroristas.

O assassinato provocou uma grande emoção na comunidade judaica e aconteceu um ano após a morte de outra idosa judia, Sarah Halimi, de 65 anos, vítima de um ataque antissemita cometido por seu vizinho.

O número de atos antissemitas na França recuou em 2017, mas continua preocupando a comunidade judaica, que representa menos de 1% da população francesa. Em um intervalo de 12 anos, a França registrou 11 assassinatos antissemitas.

As entidades judaicas convocaram para esta quarta-feira uma grande manifestação contra a violência, na praça da Nation, em Paris. O encontro começará às 18h30 e os participantes devem ir de branco. O porta-voz do governo, Christophe Castaner, condenou o crime antissemita e incita os simpatizantes do partido A República em Marcha, de Macron, a participar da manifestação. A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, também convida os parisienses a se manifestar em protesto contra a morte da idosa.