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Le Pen é condenado a pagar € 30 mil por classificar câmaras de gás como “detalhes”

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Jean-Marie Le Pen lê jornal antes de uma sessão no Parlamento Europeu em Estrasburgo, na França, em 14 de março de 2018. REUTERS/Vincent Kessler

A Corte de Cassação, a mais alta jurisdição francesa, confirmou nesta terça-feira (27) a condenação de Jean-Marie Le Pen, fundador do partido de extrema-direita Frente Nacional (FN), a uma multa de € 30 mil por se referir novamente às câmaras de gás nazistas como um "detalhe" da Segunda Guerra Mundial. Le Pen repetiu a afirmação, feita orginalmente em 1987, em abril de 2015. A sentença desta terça-feira é definitiva.


O Tribunal Superior, que julga se a lei francesa foi bem aplicada, rejeitou o recurso de Jean-Marie Le Pen (pai de Marine Le Pen) contra a sua condenação por contestar o genocídio judeu. A primeira sentença havia sido pronunciada em 1° de março de 2017 pela Corte de Apelação de Paris.

Le Pen pai já havia sido condenado duas vezes em processos civis por tribunais franceses por causa destas observações. Criticado por sua filha Marine, que o sucedeu à frente do partido de extrema-direita, os comentários levaram à suspensão - então anulada pela Justiça francesa - de Jean-Marie do partido Frente Nacional, e depois à sua exclusão do mesmo.

Sem arrependimento

Em 2 de abril de 2015, o apresentador de TV Jean-Jacques Bourdin lhe perguntou se ele lamentava ter chamado as câmaras de gás de "detalhes". Le Pen respondeu: "De maneira alguma. O que eu disse corresponde ao meu pensamento de que as câmaras de gás foram um detalhe da história da guerra, a menos que admitamos que a guerra é que é um detalhe das câmaras de gás".

Bourdin contestou a resposta de Le Pen, perguntando se "milhões de mortes" poderiam ser qualificadas como "detalhes". "Não são um milhão de mortos, são as câmaras de gás, estou falando de coisas específicas, não falei sobre o número de mortos, falei sobre um sistema. Eu disse que ele era um detalhe da história da guerra", insistiu o ex-líder da FN.

"Sob o pretexto de abordar a realidade, Jean-Marie Le Pen nunca deixa de relativizar a importância e o caráter repulsivo das câmaras de gás", enfatiza a sentença de primeira instância, emitida pelo Tribunal Correcional em abril de 2016. A Corte de Apelação de Paris confirmou essa análise em 2017, agora definitivamente publicada pela Corte de Cassação da França, a mais alta instância jurídica do país.