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Cultura Auguste Rodin Escultura confeitaria

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Futuros padeiros e confeiteiros franceses aprendem escultura no Museu Rodin de Meudon

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Alunos do curso "Ateliê dos Escultores", no Museu Rodin de Meudon, periferia de Paris. Daniella Franco/RFI

O que a confeitaria e o artista francês Auguste Rodin têm em comum? Não há dúvidas que a gastronomia, como a escultura, é uma arte. Mas a relação entre as duas atividades fica mais evidente em um ateliê para estudantes de padaria e confeitaria promovido pelo Museu Rodin de Meudon, na periferia de Paris, patrocinado pelo premiado chocolatier francês Patrick Roger.


Durante um ano, 24 alunos do liceu Les Côtes de Villebon, da cidade de Meudon, que fazem parte da formação profissional de padaria e confeitaria, também estudam desenho e modelagem. O projeto "Ateliê dos Escultores" tem o objetivo de despertar novas competências, favorecer a expressão artística e cultural na carreira dos futuros padeiros e confeiteiros, profissões onde questão estética é fundamental na França. No país, doces, tortas, pães e chocolates são verdadeiras obras de arte, dignas de competições e prêmios.

A grande fonte de inspiração dos estudantes é um dos maiores artistas franceses: o escultor realista Auguste Rodin. Uma semana da formação dos alunos ocorre no Museu Rodin de Meudon, onde está a casa em que o artista viveu até o final de seus dias e executou a maior parte de seu trabalho. É no local, aliás, que jaz o escultor e sua esposa Rose Beuret, sob a égide de uma das versões do célébre "O Pensador".

Entre "A Porta do Inferno" e outras dezenas de obras de Rodin, os estudantes têm aulas de desenho e modelagem, sob a coordenação da artista plástica Flavia Fenaroli. "A escultura e a confeitaria são atividades ligadas à inteligência da mão. É interessante notar que aqui os alunos descobrem que sua futura profissão exige uma habilidade artística similar à dos escultores. Ou seja, eles são imersos em um mundo diferente para mostrar que, no final, ele não se distancia tanto assim do que farão no futuro", diz Flavia Fenaroli.

Portas abertas para um novo universo

Muito além de fornecer ferramentas para os futuros confeiteiros e padeiros executarem com excelência essa exigente e renomada profissão na França, o ateliê do Museu Rodin de Meudon também abre as portas de um universo ao qual poucos têm familiaridade aos 16 anos, idade da maioria dos estudantes do ateliê. "Estou adorando, embora nunca pudesse imaginar que um dia eu fosse apreciar tanto assim a arte. Para mim, até hoje, esse era um outro mundo", afirma a aluna Lauryn Dabo.

Estimular esse interesse, aliás, também faz parte dos objetivos do museu, que tenta através destes projetos, atrair cada vez mais o público leigo ao local. "Trabalhamos de uma forma particular com o que chamamos de público prioritário, ou seja, aquelas pessoas que não têm o hábito de frequentar museus e que precisamos ir até elas para que venham até nós", explica a chefe do serviço cultural do Museu Rodin de Meudon, Isabelle Bissière.

Deste público, fazem parte os jovens estudantes que participam dos percursos de educação artística e cultural promovidos pelo Ministério da Cultura da França. "Nosso objetivo é criar uma ligação entre competência profissional e conhecimento, através de visitas do museu, encontros com artistas e prática artística", reitera.

As obras dos estudantes foram expostas em uma mostra especial, realizada no dia 24 de março. O Museu Rodin de Meudon (19 avenue Auguste Rodin, 92190, Meudon) abre suas portas de sextas a domingos, das 13h às 18h.