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Em pleno naufrágio, Partido Socialista francês nomeia novo líder

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Olivier Faure, novo secretário-geral do Partido Socialista francês. Thomas Samson / AFP

Em busca de uma nova identidade desde as eleições presidenciais de 2017, quando amargou um vergonhoso quinto lugar na votação, o Partido Socialista (PS) francês nomeou Olivier Faure, 49 anos, secretário-geral da sigla neste sábado (7). Em seu primeiro discurso, realizado neste domingo (8) no 78º Congresso da sigla, em Aubervilliers (ao norte de Paris), o líder partiu para cima do presidente da França, Emmanuel Macron, e sustentou que o partido permanece a maior força de esquerda do país, apesar das divisões.


Olivier Faure é deputado desde 2012 e não faz parte dos quadros históricos do PS. Representando uma cara nova para a sigla, ele foi o escolhido em uma votação feita entre 15 e 29 de março, que contou com a participação de mais de 1.000 militantes. "Não devemos esquecer o que somos, de onde viemos. O renascimento é, ao mesmo tempo, buscar na nossa história e fazê-la entrar na modernidade", afirmou o novo dirigente do PS.

O partido tenta se recuperar dos fracassos eleitorais de 2017, quando perdeu a presidência, com a saída de François Hollande, e se viu encurralado pelo movimento político centrista de Emmanuel Macron, de um lado, e pelo partido de esquerda radical França Insubmissa, de Jean-Luc Mélenchon. Faure tentará retomar a confiança da militância com o resgate dos ideais “verdadeiramente de esquerda”.

Contra o liberalismo de Macron

“A República francesa é Liberdade, Igualdade, Fraternidade. Não é liberalismo, individualismo, bonapartismo”, alfinetou o líder em seu pronunciamento, referindo-se à política de Macron, ex-ministro da Economia de Hollande. Faure disse que o governo atual comanda uma “política de classes a serviço dos mais ricos” e denunciou o desmonte em curso do serviço público na França, desde que o presidente centrista assumiu o cargo.

Olivier Faure entrou cedo na política, aos 16 anos, quando se filiou ao Partido Socialista. Formado em direito e jurista de profissão, ele é filho de uma mãe vietnamita e um pai fiscal da receita. Faure fez carreira política junto ao gabinete da ex-secretária-geral da sigla Martine Aubry, que representa a ala mais à esquerda do partido. Depois, foi conselheiro de Hollande, de quem continua amigo e cujo balanço de governo defende, apesar da impopularidade do ex-presidente.

Pouco conhecido do grande público, o novo secretário-geral ocupa desde 2016 o posto de líder da bancada do partido na Assembleia Nacional.

Com informações da AFP