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Ópera de Paris Aurélie Dupont Dança Balé

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Bailarinos denunciam assédio moral na Ópera de Paris

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Aurelie Dupont, diretora do balé da Ópera de Paris, é criticada pelos bailarinos em documento interno. REUTERS/Jacky Naegelen

Apenas dois anos depois da saída intempestiva do diretor Benjamin Millepied, o balé da Ópera de Paris, uma das principais companhias clássicas do mundo, mostra muitas desavenças com a atual responsável, a ex-bailarina “étoile” (estrela), Aurélie Dupont.


A AFP obteve uma cópia de um estudo feito pela comissão de expressão artística, organismo interno eleito pelos dançarinos.

De acordo com o documento, entre os 132 profissionais entrevistados sob garantia de anonimato, 89,8% acham que “a administração não é de qualidade aceitável”, enquanto 76,8% declararam terem sido vítimas de assédio moral ou terem visto um colega sofrer tal tratamento. Já 25,9% afirmam terem sofrido assédio sexual ou foram testemunha de tal ato.

O diretor da Ópera de Paris, Stéphane Lissner, declarou à AFP “ter confiança total em Aurélie Dupont”, acrescentando que ela é “uma excelente diretora do setor de dança”. Ele disse “estar surpreso” com o vazamento para uma parte da imprensa de um documento interno, mas prometeu que um diálogo será estabelecido para “uma refletir calmamente e entender o que os dançarinos querem dizer quando reclamam da falta de diálogo”.

Uma centena de dançarinos, incluindo muitas “étoiles”, que são os principais nomes do corpo de baile, mostraram surpresa com o documento. “A divulgação do questionário foi feita sem o consentimento dos bailarinos e em nenhum momento os artistas interrogados imaginavam que o estudo seria utilizado para fins contrários a seus interesses”, informa um comunicado.

Incompetente e desinteressada

As avaliações em torno de Aurélie Dupont, no cargo desde fevereiro de 2016, são péssimas. “A diretora atual não tem nenhuma competência para administrar e nem parece interessada em aprender”, afirma um dançarino.

Outros denunciam uma “falta absoluta de acompanhamento”, “desconhecimento ou recusa em ouvir as aspirações de muitos dançarinos” e, sobretudo, “falta de diálogo”.

“Somos seres humanos e não piões que são movidos de acordo com as circunstâncias”, diz um outro testemunho.

Sobre os casos de assédio sexual, Lissner afirma que existe uma “tolerância zero” a respeito e que pediu que os dançarinos com esse tipo de denúncia falem com a direção.

O antecessor de Aurélie Dupont, o francês radicado nos Estados Unidos Benjamin Millepied, causou surpresa ao deixar o cargo após apenas um ano à frente da reputada companhia. Millepied é casado com a atriz Natalie Portman.