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Deputados franceses aprovam reforma de estatal ferroviária e revoltam ainda mais o setor

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Ferroviários realizam manifestação em Marselha, no sul da França, contra a reforma da SNCF, em 4 de abril de 2018. BERTRAND LANGLOIS / AFP

A guerra entre o governo francês e os trabalhadores ferroviários é o principal assunto da imprensa na manhã desta quarta-feira (18), novo dia de greve dos transportes férreos na França. A Assembleia Nacional votou na noite de terça-feira (17) a favor do projeto de lei que prevê reformar a empresa estatal ferroviária do país, SNCF, aumentando a revolta dos sindicatos. 


"E a greve continua", publica o jornal Les Echos na manhã desta quarta-feira. Os deputados franceses aprovaram, com uma grande margem - 454 votos contra 80 -, a reforma da empresa. O texto, que prevê modificar os estatutos da SNCF e de seus funcionários, será examinado no final de maio pelo Senado. 

Les Echos destaca que o projeto de lei só foi aprovado na Assembleia devido ao consenso dos partidos de direita sobre a questão. No entanto, o jornal lembra que a decisão não é unânime entre os conservadores: três quartos dos deputados do partido Os Republicanos, de direita, se abstiveram porque acreditam que a reforma não promoverá avanços na França. 

Entre os pontos mais polêmicos do texto está a abertura das linhas nacionais do transporte ferroviário francês à concorrência a partir de 2019, destaca o jornal Aujourd'hui en France. A questão é uma das que mais incendeiam as centrais sindicais, que prometem continuar a greve, enquanto, lembra o diário, o governo espera aprovar definitivamente a nova lei até julho. 

O jornal Le Figaro escreve que a CGT, a maior central sindical da França, denuncia uma "aprovação forçada" do projeto de lei na Assembleia e vê a reforma como "uma tentativa de desmantelar o serviço público ferroviário". Independentemente da revolta dos funcionários, o governo francês estabelece que "o nascimento da nova SNCF está previsto para janeiro de 2020", publica o diário. 

Franceses começam a se irritar com paralisações

O destaque do jornal Le Monde é para a exaustão dos franceses com esta queda de braço entre o governo e os ferroviários. "Greve da SNCF: a contestação dos usuários se organiza", é a manchete do site do diário nesta manhã.

A categoria tenta convencer os cidadãos a apoiar as sucessivas paralisações. Mas, segundo o jornal, a greve mais penaliza os cidadãos que dependem do transporte público do que pressiona o governo. Por isso, cerca de 30 organizações de usuários do transporte ferroviário organizam um movimento para pedir o reembolso das passagens. 

O jornal salienta que a greve da SNCF é um dos movimentos considerados mais ilegítimos dos últimos 20 anos na França. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Francês de Opinião Pública, 46% da população apoia a mobilização, enquanto que 61% dos entrevistados esperam que o governo consiga aprovar a reforma do setor ferroviário.