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Diante bloqueio de universidades, reitores franceses estão "entre a cruz e a espada", diz imprensa

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Dezenas de estudantes bloquearam na quarta-feira (18) a prestigiada Sciences Po de Paris. Twitter @LangueQuiPique

A mobilização dos estudantes e acadêmicos no bloqueio de várias universidades francesas ocupa as páginas dos principais jornais desta quinta-feira (19). O movimento contra a polêmica lei chamada de Orientação e Sucesso dos Estudantes (ORE), do governo Macron, é registrado em 15 grandes universidades da França.


"As faculdades buscam a porta de saída" é a manchete do jornal Aujourd'hui en France. Para o diário, diante da mobilização que já dura semanas, "os reitores das universidades estão entre a cruz e a espada". Por isso, reitera o texto, seis reitores de estabelecimentos bloqueados pedem oficialmente ao governo francês a abertura de negociações com os opositores à lei de Orientação e Sucesso dos Estudantes.

Violentamente contestada por parte do corpo acadêmico e universitários, seus opositores denunciam que a medida é contra o interesse geral das instituições. A lei se baseia em pré-requisitos escolares que poderão se tornar determinantes para o futuro acesso à universidade pública na França. Para os opositores, o texto só vai piorar as desigualdades sociais no ensino francês.

No total, quatro universidades estão fechadas e 11 registram bloqueios, ressalta Aujourd'hui en France. Mas o ministério do Ensino Superior, que se diz "atento" à situação, alega que os manifestantes são minoria nas 70 universidades francesas. Mas - lembra o diário - "a lista dos estabelecimentos mobilizados aumenta a cada dia e começa a preocupar os presidentes das universidades (...) em um momento de provas e avaliações".

Lei é "neoliberal e racista", segundo estudantes da Sciences Po

"A vez do bloqueio na Sciences Po" é a manchete do jornal Le Figaro. O diário ressalta que os estudantes desta prestigiada instituição superior, conhecida por formar a elite política da França, classificam a nova lei como "neoliberal e racista".

"Nós ocupamos a Sciences Po porque Macron se formou aqui e não queremos terminar como ele", diz o comunicado redigido na última noite pelos manifestantes. Le Figaro sublinha que, além de serem contra a nova lei, os alunos da Sciences Po também contestam algumas disciplinas ensinadas no estabelecimento para formar, segundo eles, funcionários direcionados a regimes conservadores e autoritários.

Importante experiência de autogestão

Já o jornal Libération ouviu os alunos da universidade Paris 10 Nanterre, outro estabelecimento bloqueado, berço do movimento de Maio de 68. Segundo o diário, a mobilização também é uma experiência importante de autogestão. 

Libé destaca que, além das reuniões e debates, os estudantes se revezam em comissões para a limpeza do local, para cozinhar e realizar a segurança. "Não significa que vamos todos virar anarquistas, mas é interessante ver que podemos nos organizar sem o Estado", diz uma universitária da Paris 10 ao jornal.

Para Libération, a mobilização representa uma experiência social e formadora aos estudantes, que percebem que a aprendizagem acadêmica também pode ser cidadã.