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Dissolvente usado como droga gera pânico em donos de discotecas de Paris

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Capa do jornal Libération nesta quinta-feira, 26 de abril de 2018. DR

O jornal Libération adverte nesta quinta-feira (26) sobre os estragos causados pelo GBL, um dissolvente industrial que vem sendo utilizado por frequentadores de discotecas e festas privadas como uma droga euforizante e desinibidora da atividade sexual. A ingestão do GBL, iniciais de Ácido Gama Butil-lactona, já causou a morte de um homem em Paris e levou dez pessoas à hospitalização em coma, num intervalo de poucos meses.


O GBL é da mesma família do GHB (Ácido Gama-hidroxibutírico), também conhecido como Boa Noite, Cinderela, droga usada para roubar ou estuprar uma vítima que não se lembrará da agressão pelo estado alterado da memória. Em comum, as duas substâncias têm um efeito depressor sobre o sistema nervoso central, principalmente quando combinadas com o álcool. Tanto o GBL quanto o GHB contêm solventes industriais e substâncias removedoras de tinta. Mas os efeitos do GBL podem ser mais fortes ou mais imprevisíveis do que os do GHB.

Barato e de acesso fácil, o GBL costuma ser vendido como um produto de limpeza capaz de fazer milagres: remove tintas de parede ou de canteas, óleo, esmalte, cola ou grafite. A maior parte dos consumidores franceses compra a substância pela internet, em sites baseados na Lituânia.

Garrafa abandonada

Segundo o Libération, o balanço de vítimas disponível atualmente leva em conta apenas os frequentadores da noite parisiense. No dia 10 de março, por exemplo, na casa noturna Petit Bain, no 13° distrito da capital, um jovem entrou em coma depois de ter bebido o conteúdo de uma garrafa abandonada. Ele pensou que era água, mas a garrafa continha o GBL. O homem imediatamente cuspiu a bebida, mas o efeito do produto foi tão rápido que ele entrou em coma. Recuperado, o rapaz contou que o GBL tinha gosto de detergente. O sabor ácido faz com que seus usuários diluam a substância em água ou outra bebida. Na mesma noite, um outro frequentador da casa noturna teve menos sorte e morreu, depois de consumir a nova droga na moda entre os jovens.

Médicos ouvidos pelo Libération explicam que em pequena dose, de 1,2 a 2 ml, o usuário sente uma certa excitação, fica desinibido e sente mais desejo sexual, além de ter a impressão de "amar todo mundo". O risco, porém, é que mesmo em pequena dose, o indivíduo entre em coma em 80% a 100% dos casos.

Donos de discotecas pedem ajuda às autoridades

Vários promotores de baladas parisienses e donos de casas noturnas estão preocupados com os efeitos devastadores do GBL. Em uma reunião realizada nesta quarta-feira (25), eles redigiram um guia de conduta com medidas de prevenção e de primeiros socorros para distribuir nos estabelecimentos, alertando sobre os riscos ligados ao consumo do GBL.

O poder público também está sendo solicitado. O mesmo grupo escreveu aos ministérios da Saúde e do Interior relatando a gravidade da situação. Além de levar à morte, usado como droga, o GBL causa dependência. A França já teria de 5% a 8% de usuários dependentes, estima o Libération.