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Assassinato de menina de 13 anos choca a França e abre debate sobre reincidentes sexuais

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Flores em frente à residência de Angélique, assassinada pelo seu vizinho PHILIPPE HUGUEN / AFP

O crime, cometido por um motorista de ônibus que já havia sido condenado pelo estupro de outra menor, aconteceu na última quarta-feira (25) na pequena cidade de Wambrechies, no norte da França. Uma passeata organizada pelos habitantes, que ignoravam o passado do autor do homicídio, acontece nesta terça-feira (1) em memória da adolescente.


No dia do assassinato da adolescente, o motorista contou que a viu brincando no parque e sentiu atração por ela. Em seguida, disse à menina que precisava entregar um objeto a seus pais e a levou para a casa, onde a estuprou e a estrangulou. O homem foi indiciado por homicídio doloso nesta segunda-feira (30). Ele foi identificado por uma criança que o viu levar Angélique para casa.

Os detalhes do assassinato foram divulgados em uma entrevista coletiva pelo procurador de Lille, no norte da França, Thierry Pocquet du Haut-Jussé. Segundo ele, desde o início de seu interrogatório o motorista se mostrou disposto “a contar a verdade”. No dia do crime, ele estava sozinho em casa. Sua mulher e seus dois filhos estavam no sul do país e só voltariam no dia seguinte.

Durante o interrogatório, ele se disse incapaz de explicar o que ocorreu no momento do crime, afirmando estar em uma espécie de “transe”. David Ramault decidiu matar a garota quando ela “começou a se debater”. O corpo da menina foi encontrado três dias mais tarde em uma floresta em Quesnoy-sur-Deûle, perto de Lille.

O assassinato chocou toda a França e principalmente os moradores da pacata Wambrechies, onde o criminoso vivia. Em entrevista à rádio France Info, uma das vizinhas de David Ramault, lembra que o filho mais velho dele e a vítima brincavam juntos. Em sua opinião, Angélique não tinha motivos para desconfiar “de suas más intenções.”

Assassino era reincidente

O caso também gera um debate na França sobre o acompanhamento de criminosos sexuais. David Ramault é um deles, mas sua vizinhança ignorava seus antecedentes. Em 1996, ele foi condenado pelo estupro de uma menor de 15 anos, usando uma arma de fogo, atentado ao pudor com agravante e estupro com violência. Em detenção provisória desde 1994, ele foi liberado nos anos 2000, sem a obrigação de tratamento.

A base de dados francesa que inclui os nomes de todos os delinquentes sexuais já condenados no país é que possibilitou sua prisão. O objetivo dessa base é prevenir novos crimes e facilitar a identificação dos criminosos. Ela foi criada em março de 2004 pelo ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, que na época era ministro do Interior. Mais de 73.197 pessoas foram fichadas. As informações são conservadas entre 20 e 30 anos e podem ser consultadas pelas autoridades judiciais, a polícia, os secretários de Segurança Pública e pelos funcionários do Ministério da Educação.

Uma das questões levantadas por associações francesas é como o suspeito obteve autorização para trabalhar com motorista de ônibus, ainda mais em uma cidade pequena, onde o contato com crianças é frequente. De acordo com a representação da associação “Inocência em Perigo”, Marie Grimaud, os prefeitos e a polícia local deveriam receber as informações da base de dados sistematicamente, o que não aconteceu.