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Mulheres e menores em meio a black blocs franceses surpreende a imprensa

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Confrontos entre black blocs e tropas de choque durante a passeata do Dia dos Trabalhadores em Paris. 1º de maio de 2018. REUTERS/Philippe Wojazer

A imprensa francesa ainda repercute nesta quinta-feira (3) a ação dos black blocs na manifestação sindical do Dia dos Trabalhadores, em Paris. "Como chegamos a esse ponto de violência", questiona o jornal Aujourd'hui en France.


A polêmica sobre as ordens que os policiais receberam da hierarquia para não intervir com violência, o que resultou na depredação de 31 estabelecimentos comerciais, mobiliário urbano e 16 carros pelos ativistas, provoca polêmica e requer explicações mais convincentes do governo, argumenta o diário Aujourd'hui en France.

Já o conservador Le Figaro revela que dos 102 ativistas sob custódia da polícia na manhã de quarta-feira, um terço eram mulheres e 60% jovens, de 18 a 28 anos. Segundo o Ministério do Interior, 15 detidos eram menores de idade e um indivíduo integra o cadastro de radicalizados dos serviços de inteligência, informa o diário. Nove estrangeiros também estavam entre os presos e cinco deles – um alemão, um belga, um sírio, um colombiano e um suíço – tiveram a detenção temporária prolongada, acrescenta Le Figaro.  

A principal questão levantada pela imprensa é por que as autoridades não detiveram uma parte dos extremistas que promoveram o quebra-quebra antes da manifestação, se o próprio dirigente responsável pela segurança pública de Paris havia identificado e avisado à população que um grupo ultrarradical de esquerda pretendia estragar a passeata dos sindicatos e trabalhadores.

"Internacional da desordem"

Le Figaro diz que o fato de não haver vítimas, apesar da selvageria dos ativistas, é positivo. Mas não desculpa a falta de ação antecipada da parte dos serviços policiais e de inteligência para evitar os distúrbios, argumenta o jornal.

"Já se falou muita coisa sobre esses ativistas ultrarradicais de esquerda que viajam pela Europa vestidos de preto e mascarados, dispostos a enfrentar a polícia contra a ordem capitalista. Onde cresce a constestação, eles aparecem", diz o editorial do Le Figaro. O jornal constata que na França os black blocs seduzem "jovens em busca de causas". "É preciso sair da armadilha construída por essa internacional da desordem", escreve o editorialista.

O jornal de esquerda Libération também critica a ação dos black blocs na terça-feira (1), com uma pitada de ironia. "Esses heróicos destruidores de vitrines que se reivindicam de Maio de 68 comemoram e nós recomeçamos. [...] Esses atos violentos e minoritários, destinados a sensibilizar a consciência das massas foram rejeitados pelo movimento operário há mais de um século. Aplicados hoje, esses métodos só servem para justificar a ação da polícia, reforçar a direita e atrapalhar o movimento sindical", adverte o Libération.