rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Linha Direta
rss itunes

Cannes 2018: fim das "avant-premières" para manter suspense irrita imprensa

Por Patricia Moribe

Começa nesta terça-feira (8) o Festival Internacional de Cinema de Cannes, um dos mais importantes do mundo, conhecido por seu interesse no cinema de autor e, com certeza, o mais glamouroso. Mas também com novidades para jornalistas e críticos de cinema.

Enviada especial a Cannes

O festival declarou o fim das “avant-premières” para os jornalistas, já habituados a acordar cedo em Cannes para ver o filme principal do dia antes da exibição de gala. A palavra de ordem este ano é “suspense total”, como disse o delegado-geral Thiérry Frémaux, em coletiva de imprensa, a fim de tornar a sessão com os artistas a verdadeira “avant-première”.

Talvez para evitar casos como o de The Last Face (2016), de Sean Penn, com Charlize Theron e Javier Bardem. Entre o final da projeção para os jornalistas e a subida das escadarias, o filme foi bombardeado e já anunciado como o pior do festival naquele ano. A organização impôs a mudança alegando também que as sessões matinais eram principalmente para os jornalistas da imprensa escrita, para que pudessem ter tempo de fechar a matéria antes de a edição ir para a impressão.

A coletiva de imprensa, tradicionalmente feita logo após a projeção dos filmes de manhã, agora vai ser realizada no dia seguinte. Mais um motivo de frustração para os jornalistas em geral.

Abertura com Bardem, Cruz e Darín

A 71ª edição de Cannes começa com um filme bastante aguardado, em competição. O que nem sempre é o caso, pois geralmente o filme de abertura não entre na corrida. O longa em questão é o thriller Todos Lo Saben, do premiado iraninano Asghar Farhadi, falado em espanhol, com Javier Bardem e Penélope Cruz nos papéis principais, além do argentino Ricardo Darín.

É o segundo filme de Farhadi fora do Irã, depois de O Passado (2013) rodado na França. O cineasta já recebeu vários Ursos de Berlim (melhor filme, diretor e roteiro por A Separação, de 2011), duas vezes o Oscar de filme estrangeiro (A Separação e O Cliente, de 2016) e um prêmio do júri em Cannes (O Passado).

E é a nona vez que Bardem e Cruz, que são casados na vida real, atuam em um mesmo filme, desde o caliente Jámon Jámon (1992), de Bigas Luna. Neste novo filme, Penélope Cruz vive uma espanhola radicada na Argentina, mas que volta para a Espanha com marido e filhos para uma festa. Lá ela reencontra um amor da juventude, vivido por Bardem. Mas o que era para ser uma celebração, vira um pesadelo. O resto ainda é mistério, que poderá ser descoberto também amanhã nos cinemas da França.

Como sempre, há pesos-pesados na corrida este ano. Entre os 21 cineastas, estão o franco-suíço Jean-Luc Godard, o americano Spike Lee, o italiano Matteo Garrone e o japonês Hirokazu Kore-eda. Dois concorrentes não vão subir as escadas de Cannes. Um é o premiado iraniano e feroz crítico do regime dos aiatolás Jafar Panahi, impedido de sair do país. O outro é o russo Kirill Serebrennikov, em prisão domiciliar, condenado por suposto desvio de fundos. O cineasta alega inocência, apresentou provas oficiais e chama o processo de “absurdo”.

Brasil com Diegues

O Brasil não concorre à Palma de Ouro este ano. O último filme de Cacá Diegues, O Grande Circo Místico, vai ser apresentado fora de competição, no sábado (12). O longa-metragem foi baseado em um poema de Jorge de Lima. O Grande Circo Místico também foi um balé com trilha sonora de sucesso assinada por Chico Buarque e Edu Lobo. Rodado em Portugal e com atores brasileiros e internacionais, como o francês Vincent Cassel, o filme conta a história de cinco gerações de uma família circense.

Diegues já disputou a Palma de Ouro de Cannes três vezes: em 1980, com Bye Bye Brazil, em 1984, com Quilombo, e em 1987, com Um Trem para as Estrelas. Vale a pena lembrar que Cacá Diegues, de 77 anos, que foi casado com Nara Leão, também é o diretor de outros grandes filmes, como Xica da Silva, Joana Francesa, com Jeanne Moreau, que morreu no ano passado, Deus é Brasileiro e Orfeu. Na Quinzena dos Realizadores, Beatriz Seigner, concorre com o longa-metragem Los Silencios, filmado na tríplice fronteira Brasil-Colômbia-Peru. Também na Quinzena, Carolina Warkowicz está na competição de curtas com O Órfão.

Filme de Terry Gilliam encerra ou não o Festival?

O suspense ronda a exibição do filme de encerramento. O longa programado é O Homem que Matou Don Quixote, do ex-Monty Python Terry Gilliam. O projeto é uma saga, começou em 1989, com o francês Jean Rochefort e americano Johnny Depp nos papéis principais. Uma enchente destruiu os cenários e Rochefort caiu doente, enterrando o projeto uma primeira vez.

O filme teve varias outros inícios abortados, vários atores sondados em quase três décadas, até que Gilliam finalmente conseguiu terminar a obra, com Jonathan Pryce e Adam Driver, nos papéis principais. Só que agora é o produtor do filme, o português Paulo Branco, que se desentendeu com Terry Gilliam e quer impedir na justiça a exibição do filme. A decisão vai ser anunciada quarta-feira (9).

Proibição do véu islâmico integral gera onda de protestos na Dinamarca

Destino preferido dos brasileiros na Europa, Portugal vive bolha imobiliária

Evo Morales inaugura nova sede de governo criticada pelo custo milionário

Itália: estudo mostra que população tem ideias equivocadas sobre imigrantes

Incêndios na Suécia atingem área equivalente a 35.700 campos de futebol

Presidente do Equador visita Reino Unido em meio a boatos sobre entrega de Assange aos britânicos

Refugiado deportado por engano expõe falha em política migratória da Alemanha