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Islã Islamofobia Pesquisa

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Ativista lança consulta online para “dar voz” aos mulçumanos da França

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Fieis saem da Grande Mesquita de Paris Zakaria ABDELKAFI / AFP

Um ativista anti-islamofobia quer consultar todos os praticantes da religião na França através de uma plataforma online. O ensaísta Marwan Muhammad afirma querer “definir as bases das comunidades mulçumanas” e “estabelecer as fundações de uma relação construtiva e franca com o Estado”. Os resultados devem ser publicados no final de junho.


A ideia é dar voz aos mulçumanos que vivem na França através de uma consulta na internet – que também é aberta aos que não praticam a religião. A iniciativa é do ex-diretor do Coletivo Contra a Islamofobia na França (CCIF) Marwan Muhammad, figura conhecida por sua atuação, mas que gera ressalvas em certos especialistas que o veem como alguém que faz “papel de vítima” e que “não propõe nada”.

O questionário, publicado nesta quarta-feira (9), é composto por 17 questões no total. “Você acredita que as instâncias nacionais encarregadas de organizar e representar o culto mulçumano fazem um bom trabalho?”, “Os mulçumanos precisam de uma estrutura nacional que melhore sua representação e sua organização?” e “O Estado francês deve participar da organização do culto mulçumano?” são algumas das interrogações.

A questão central envolve a participação do Estado na organização do culto mulçumano – assunto que o presidente francês Emmanuel Macron já abordou algumas vezes. Marwan se diz contente que o Estado tenha opiniões com relação ao Islã, mas que “os primeiros interessados são os mulçumanos. É por isso que essa pesquisa é tão essencial. Ela deve permitir a identificação daquilo que eles consideram mais importante em termos de ação cultural e financiamento de projetos como mesquitas e escolas”, declara.

Personalidade controversa

Ahmet Ogras, presidente do Conselho Francês do Culto Mulçumano (CFCM), acusa Marwan Muhammad de não agir de forma justa, já que a instituição deve lançar também, em junho, sua própria pesquisa.

Questionado sobre a pertinência de publicar agora sua consulta, Marwan afirma que a razão é a proximidade com o ramadã, período sagrado para os mulçumanos, e a existência de um novo governo que age como todos os outros. “Temos um presidente novo, mas a abordagem é a mesma”.

Marwan Muham partiu do CCIF em 2017 e, atualmente, dá cursos de “autodefesa intelectual” a jovens militantes de associações. Em fevereiro de 2018, ele assinou uma tribuna em defesa de Tariq Ramadan, teólogo acusado de estupro, mas se manteve em seguida reticente durante a campanha de defesa do religioso.