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Festival Cannes 2018 Cinema Martin Scorsese

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Cannes premia dedicação incondicional de Scorsese ao cinema

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Martin Scorsese, homenageado nesta quarta-feira (9), na Quinzena dos Realizadores de Cannes. REUTERS/Regis Duvignau

Ele é um dos grandes nomes do cinema contemporâneo, autor de obras como Taxi Driver, Casino, Os Bons Companheiros, Gangues de New York e a lista vai. Nos seus 50 anos de criação, a Quinzena dos Realizadores de Cannes abriu a edição de 2018 nesta quarta-feira (9), com uma grande homenagem a Martin Scorsese.


Enviada especial a Cannes

Diante de um auditório lotado, depois da exibição de Caminhos Perigosos (Mean Streets), seu primeiro filme exibido na Quinzena, em 1974, Scorsese deu uma masterclass a respeito de sua trajetória. Ele contou, por exemplo, que a frase “You talkin’ to me?”, que Robert de Niro fala diante do espelho em Taxi Driver foi um “feliz acaso”. Assim como “You think I’m funny?”, réplica famosa que Joe Pesci diz em Os Bons Companheiros, antes de quebrar um copo na cabeça de uma personagem.

Cartaz de "Taxi Driver", por Guy Peellaert. Columbia Pictures

Scorsese também falou sobre suas referências cinematográficas, de Jean Renoir a John Ford, passando por Elia Kazan. Para o cineasta de 75 anos, o cinema é “uma experiência espiritual da categoria de uma catarse”.

Ao receber o prêmio “Carruagem de Ouro”, da Quinzena dos Realizadores por sua contribuição ao cinema, Scorsese lembrou da missão dessa mostra paralela e independente de Cannes em apoiar novos cinemas, de jovens cineastas, e de veteranos. Em seguida ele citou nomes de diretores que ganharam destaque com a Quinzena. Entre eles, "Glauber, o grande Glauber Rocha", disse Scorsese.

Amigos para sempre

Scorsese assinou seu primeiro longa-metragem em 1967, Who’s That Knocking at My Door, com os colegas de cinema da Universidade de Nova York, como Harvey Keitel e a montadora Thelma Schoonmaker, que se tornaram colaboradores fieis do diretor.

Sobre a primeira vez em Cannes, com Mean Streets, Scorsese declarou à RFI: “Foi fantástico, viemos eu, Robert de Niro e Harvey Keitel. Não éramos conhecidos, então podíamos circular à vontade". E acrescentou: "Acho que foi a primeira vez em que encontrei diretores como Wim Wenders e Werner Herzog. Todos estavam aqui: distribuidores, cineastas independentes, diretores da ex-Iugoslávia, foi uma experiência fantástica”.

Abrindo o festival

Na terça-feira (8), Scorsese teve ainda a honra, ao lado de Cate Blanchett, de declarar oficialmente aberta a 71ª edição do Festival Internacional de Cinema de Cannes. E em francês. “Estamos aqui para celebrar a arte do cinema”, disse o cineasta. A australiana Cate Blanchett, presidente do júri da Palma de Ouro deste ano, viveu a atriz americana Katherine Hepburn em O Aviador (2004), de Scorsese. A plateia delirou com o bom humor e a notável diferença de altura entre os dois – Blanchett mede 1,74m e Scorsese, alguns palmos a menos.

Martin Scorsese e Cate Blanchett na abertura do Festival de Cannes. Reuters

Scorsese forjou uma filmografia espetacular e seminal com filmes como Alice Não Mora Mais Aqui, Taxi Driver (Palma de Ouro em 1976), Touro Indomável, Os Bons Companheiros (com prêmios de melhor filme, diretor e roteiro no Oscar 1991), A Época da Inocência, Casino, Gangues de Nova York e O Lobo de Wall Street, só para citar os mais importantes em mais de 50 anos de carreira.

Asma e filmes

Martin Scorsese nasceu no dia 17 de novembro de 1942, no distrito de Queens, na cidade de Nova York, filho de um casal descendente de sicilianos, Charles e Catherine, ambos atores e empregados têxteis. Quando Martin ainda era pequeno, a família se mudou para o bairro de Little Italy, em Manhattan. A asma o manteve longe das atividades esportivas durante a infância, mas o empurrou para dentro dos cinemas, que ele adotou como profissão de fé.

O amor pelo cinema sempre foi incondicional, outras provas, além de seus próprios filmes, são os relatos pessoais em documentários sobre o cinema americano ou ainda My Voyage to Italy (1999), onde conta foi influenciado pelo neorrealismo de Vittorio de Sica, Luchino Visconti, Federico Fellini e Michelangelo Antonioni. O documentário foi exibido em 2001, fora de competição, no Festival de Cannes.

Preservação e proteção

Scorsese também é conhecido em seu empenho pela história do cinema, capitaneando a criação da ONG The Film Foundation (TFF), em 1990, dedicada à proteção e preservação de filmes, com apoio de outros grandes cineastas como Woody Allen, Robert Altman, Francis Ford Coppola, Stanley Kubrick, George Lucas, Sydney Pollack, Robert Redford, Clint Eastwood e Steven Spielberg.

Limite (1931), de Mario Peixoto, um dos marcos do cinema brasileiro, foi restaurado pela Word Cinema Project, outra ONG criada por Scorsese, voltada à proteção de filmes esquecidos do mundo todo.

O próximo longa de Scorsese está previsto para 2019. Trata-se de The Irishman (O Irlandês), com os amigos Robert de Niro e Harvey Keitel no elenco, além de Al Pacino, Joe Pesci, Anna Paquin (Oscar de melhor atriz coadjuvante em O Piano, de 1993, aos 11 anos). E, claro, Thelma Schoonmaker na montagem.