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Guiana francesa se divide em debate público sobre projeto de mineração

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O presidente Emmanuel Macron durante uma conferência de imprensa na Guiana ALAIN JOCARD / AFP

Na Guiana francesa, um projeto de mineração chamado de “Montanha d’Ouro” divide a população. Situado na parte oeste da região, ele pode causar o desmatamento de 800 hectares de floresta amazônica. O debate público deve tratar desse assunto até o dia 7 de julho, tendo na pauta a necessidade de criação de novos empregos e os impactos no meio ambiente.


A associação Or de Question, que faz oposição ao projeto, tenta convencer os habitantes através de manifestações e panfletos, mas a tarefa não é fácil diante da promessa de 750 novos empregos. Na Guiana, o desemprego entre os jovens beira os 40%, situação agravada pela crise migratória. 

Segundo os especialistas do Instituto Nacional de Estatísticas e de Estudos Econômicos (INEEE), a “Guiana é o território francês que mais recebeu ondas migratórias. Ao oferecer acesso à educação, à saúde e à estabilidade política, a Guiana é um território atrativo por seu meio ambiente, sobretudo para os migrantes do Suriname, do Brasil e do Haiti”. 

O “Montanha d’Ouro” propõe a extração de 85 toneladas de ouro num período de doze anos, o equivalente a sete toneladas por ano. Se aprovado, 900 pessoas devem ser contratadas para o período de preparação das infraestruturas, de 2019 a 2021. Durante a fase de exploração, de 2022 a 2033, 750 poderiam encontrar um emprego na companhia.

Os militantes que são contra o projeto se dizem, entretanto, preocupados com o fato de que a mina se situaria perto de duas reservas biológicas integrais, onde qualquer exploração vegetal é proibida. Segundo a ONG WWF, o projeto equivaleria a 2.161 terrenos de futebol em termos de desmatamento.

Cabo de guerra

O argumento de que a Guiana deveria estar investindo no turismo verde não agrada à prefeitura da cidade de Roura. “Há dez anos, nos prometeram empregos na área sustentável com Centro Europeu da Biodiversidade no lugar de um outro projeto. Dez anos depois: zero trabalho. Hoje, querem nos contar a mesma história”, afirmou o prefeito de Roura.

Em Paris, o Ministro do meio ambiente Nicolas Hulot declarou que não é favorável ao projeto de mineração, que ele qualificou de “puramente especulativo”. “Eu já dei minha opinião, mas os guianeses têm tantas dificuldades que são eles que devem tomar a decisão”.

Já o presidente Emmanuel Macron deu todo seu apoio ao projeto “que, em seus fundamentos, pode ser bom para a Guiana. Desejo que a Guiana consiga se sair bem com suas próprias qualidades e não estou aqui para impedi-la”, declarou o presidente da República em uma visita à região.