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Cultura
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Por enquanto, nenhum favorito para a Palma de Ouro de Cannes

Por Patricia Moribe

O Festival de Cinema de Cannes está quase na metade e por enquanto nenhum concorrente à Palma de Ouro fez unanimidade entre os críticos. Mas muita coisa já aconteceu nesses primeiros dias.

O Festival Internacional de Cinema de Cannes acontece em vários mundos paralelos. O mais visível é o do glamour, das escadarias vermelhas, das estrelas em traje de gala. Diante do Palácio dos festivais, o público se aglomera antes das sessões principais, esperando a aparição mágica das personalidades.

O batalhão de fotógrafos se acotovela por um clique perfeito, um sorriso. Seguranças, militares e policiais também pululam nas ruas de Cannes. Pela Croisette, que é o calçadão ao longo da baía, se vê de tudo, mulheres muito maquiadas, jovens sonhando em serem descobertas, turistas e muitas câmeras.

No mercado de filmes, distribuidores e produtores tem reuniões, fecham negócios, assinam contratos. Paralelamente, hordas de jornalistas fazem filas sob um sol não tão escaldante este ano e lotam as várias sessões simultâneas da competição oficial, da Quinzena dos Realizadores e outras mostras paralelas.

Don Quixote está vivo!

Havia uma pedra no meio do caminho de Cannes, mas ela já foi retirada. A justiça permitiu o encerramento do festival com The Man Who Killed Don Quixote, projeto que data de quase 20 anos do ex-Monty Python Terry Gilliam.

Adam Driver e Jonathan Pryce no filme The Man Who Killed Don Quixote, que vai encerrar o Festival de Cannes. Alan Amato

Uma disputa com o produtor português Paulo Branco quase bloqueou a exibição, deixando todo o festival em suspense. Uma decisão final sobre o destino do final será tomada em junho. Mas Gilliam, que passou mal no final de semana e chegou a ser internado, já garantiu que vai estar presente no dia 19 em Cannes. Todos esperam por isso.

Temperatura morna

Enquanto isso, a competição continua, sem favoritos claros por enquanto. A abertura foi com o aguardado Todos Lo Saben, do premiado iraniano Asghar Farhadi, com Penélope Cruz e Javier Bardem. Os críticos ficaram divididos entre melodrama e genialidade. Mas Bardem já surge como bem cotado para um prêmio de interpretação.

Lugar vazio do diretor do filme Leto, Kirill Serebrennikov, em prisão domiciliar na Rússia. REUTERS / Jean-Paul Pelissier

Entre outros filmes já exibidos, há Leto (verão), do russo Kirill Serebrennikov, atualmente em prisão domiciliar, acusado de desvios de fundos, que ele nega. O filme conta a trajetória de músicos em Leningrado, nos anos 1980, que tentam burlar a repressão e buscam, ao mesmo tempo, a liberdade criativa. O longa traz muitas referências musicais da época, do movimento punk ao New Wave, passando por Velvet Underground.

Novato egípcio

Yomeddine, filme do egípcio A.B. Shawky, conta a história de Beshay, um leproso de 40 anos, que vive como catador em um lixão. Quando perde a mulher, sente o vazio da vida e resolve ir atrás da família que o abandonou num leprosário quando criança. Ele é acompanhado na aventura por Obama, um menino órfão de dez anos que se apega a Beshay. Eles saem de carroça puxada por uma mula e no percurso vão perdendo dinheiro, carroça e mula. Mas eles não desistem. A raridade do filme é ser um primeiro longa logo candidato à Palma de Ouro. O tema não é uma novidade, tanto que lembra Central do Brasil. Os críticos não gostaram do tom açucarado.

Scorsese, de Niro e Keitel soltos em Cannes

Na Quinzena dos Realizadores, festival independente nascido no simbólico maio de 1968, comemora 50 anos e para comemorar, organizou uma grande homenagem ao cineasta americano Martin Scorsese, que veio a Cannes pela primeira vez em 1974, com Caminhos Perigosos (Mean Streets). “Eu vim com Robert de Niro e Harvey Keitel. Éramos desconhecidos, pudemos circular livremente, foi fantástico”.

Martin Scorsese, homenageado nesta quarta-feira (9) na Quinzena dos Realizadores de Cannes. REUTERS/Regis Duvignau

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