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Protestos de estudantes continuam na França e alunos têm provas anuladas

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Anfiteatro do centro Tolbiac vazio Marcos Lucio Fernandes

As manifestações estudantis na França parecem longe de acabar. As provas de fim de semestre, deslocadas da universidade de Nanterre à Casa de exames de Arcueil, na região de Val-de-Marne, foram anuladas nesta sexta-feira (11) e no sábado (12) por causa de um protesto de estudantes.


O assunto das manifestações é ainda o mesmo: a reforma do acesso à universidade, que os opositores classificam de “elitista” e “discriminatória”. As forças de segurança utilizaram bombas de gás lacrimogênio para expulsar os cerca de cem protestantes, que gritavam “Nada de exames sob presença policial”.

A direção da universidade de Nanterre, palco das contestações de Maio de 1968, decidiu deslocar os exames para o prédio de Arcueil em razão da ocupação que já dura várias semanas. Sindicalistas e grevistas se juntaram aos protestos, assim como o deputado do partido La France Insoumise (LFI), Éric Coquerel.

Os estudantes que deviam fazer as provas tentaram negociar com os manifestantes, ou mesmo forçar a passagem, mas sem resultado. “Os protestantes não agiram de forma razoável e nós tomamos a decisão de anular os exames”, anunciou Jean-François Balaudé, presidente da universidade, que propôs testes online como substituição.

“Isso nos revolta. Eu entendo a manifestação, as reivindicações, mas não compreendo o bloqueio da Casa de Exames”, disse Sabrina, estudante de direito. “É um absurdo, estou chocada”, afirmou Andrea, também estudante de direito.

Conflitos recorrentes

O governo desaprova a ação dos manifestantes. No Twitter, a ministra do Ensino superior Frédérique Vidal chamou de “inadmissível” o fato de que uma minoria impeça o resto de fazer as provas.

O clima atual entre o governo e os estudantes é de tensão: seis pessoas, incluindo três menores de idade, foram presas pela polícia no dia seguinte a confrontos na universidade Paris-Sorbonne. Segundo o sindicato de esquerda Unef, os estudantes “foram atacados por cerca de trinta militantes da extrema direita”. O local foi evacuado após os incidentes.

No momento mais tenso dos protestos, quatro universidades bloqueadas sofreram intervenção dos policiais: em Tolbiac, Grenoble, Montpellier e Toulouse. Segundo o Ministério, duas universidades continuam ocupadas.