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Jornal contesta vinda de imãs árabes para o Ramadã na França

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200 imãs rezam nas ilhas Reunião. Imagem de arquivo. RICHARD BOUHET / AFP

Com o anúncio, ontem, pelo Conselho Francês do Culto Muçulmano, do início do Ramadã na quinta-feira (17), os jornais franceses abordam questões paralelas ao mês sagrado dos seguidores do Islã.


"Ramadã: porque trazer imãs estrangeiros?" é a manchete de capa do jornal Le Figaro desta quarta-feira (16). O diário se refere à chegada à França de mais de 300 religiosos, vindos, sobretudo, do Marrocos, da Argélia e da Turquia e que permanecerão um mês em solo francês. "No momento em que atentados fazem o país sangrar", este fato suscita emoção e interrogações, publica Le Figaro.

O jornal explica que a vinda de imãs para o Ramadã na França é prevista em um acordo entre países muçulmanos e o governo francês e acontece há décadas. A chegada dos religiosos estrangeiros causa polêmica em um momento em que o país luta contra a radicalização e tenta estabelecer um "Islã da França", com os imãs sendo formados em solo francês, com valores franceses.

Raros os casos em que imãs foram barrados

O governo garante que recebe a lista dos religiosos com antecedêndia e o perfil de cada um é analisado antes de os vistos serem concedidos. Mas de acordo com uma fonte da administração Macron ouvida pelo jornal, raros são os casos em que imãs não puderam entrar em território francês para a celebração do Ramadã por radicalização.

Le Figaro também destaca que o Estado está impedido de interferir nas questões religiosas pela lei, de 1905, que estabelece que a França é um país laico. Em editorial, o jornal acredita que começar o debate sobre a questão é abrir a caixa de Pandora. Em contrapartida, lembra que, dentro do objetivo de lutar contra a radicalização, os poderes públicos podem fazer mais, como fechar mesquitas fundamentalistas, dissolver associações radicais e monitorar os suspeitos, inclusive suas atividades na internet.

Ramadã ético e consciente

Já o jornal La Croix trata de um outro lado do Ramadã, o da festa e da celebração. O diário publica uma matéria sobre os muçulmanos que querem uma comemoração ética e equilibrada, sobretudo contra os desperdícios de alimentos que acompanham a refeição noturna, os iftar, como são chamados os jantares de fim de jejum, após o pôr-do-sol. 

Muçulmanos entrevistados pelo La Croix fazem um apelo pelos valores espirituais que acompanham a data, prezando a saúde e a ecologia, com menos desperdícios e exageros nos jantares. Algumas famílias muçulmanas, por exemplo, pretendem inovar neste Ramadã e fazer refeições com alimentos orgânicos, outras pretendem doar as sobras dos imensos jantares a associações. La Croix destaca que consumir conscientemente, menos e melhor, está nos planos de muitos fiéis neste mês sagrado dos muçulmanos que começa amanhã.