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França: Justiça investiga denúncia de corrupção contra braço-direito de Macron

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Alexis Kohler, secretário-geral do Palácio do Eliseu, é alvo de denúncia de corrupção passiva e tráfico de influência. REUTERS/Benoit Tessier/File Photo

O setor do Ministério Público francês encarregado de investigar crimes financeiros abriu um inquérito nesta segunda-feira (4) para averiguar denúncias de corrupção contra o secretário-geral do palácio do Eliseu, Alexis Kohler, braço-direito do presidente francês, Emmanuel Macron.


A associação de luta contra a corrupção Anticor prestou queixa contra o secretário de Macron por tráfico de influência e corrupção passiva. A Justiça francesa irá investigar se a proximidade de Kohler com a companhia de embarcações ítalo-suíça Mediterranean Shipping Company (MSC) influenciou a maneira como ele “exerceu suas funções públicas”. O inquérito foi entregue à Brigada de Repressão da Delinquência Econômica da polícia de Paris.

A presidência francesa negou as acusações e indicou que o secretário-geral entregará à Justiça “ todos os documentos comprovando que ele respeitou a lei”. Em sua queixa, a associação critica Kohler por suas ligações com a MSC, empresa fundada e dirigida pelos sobrinhos de sua mãe. A Anticor lembra que Kohler, que foi diretor-adjunto do gabinete do Ministério da Economia, pediu duas vezes afastamento do cargo para trabalhar na companhia marítima.

Na primeira vez, em 2014, a comissão de deontologia, instância encarregada de controlar a transferência dos funcionários públicos para o setor privado, foi contrária ao seu pedido. Só em 2016 ele obteve autorização para atuar na empresa como diretor financeiro, depois que Emmanuel Macron, então ministro da Economia, pediu demissão. Ainda na MSC, ele se tornou um membro ativo da campanha presidencial de Macron. Nove meses depois de assumir a diretoria francesa da companhia de embarcações, ele se tornou secretário-geral do palácio do Eliseu, cargo equivalente ao cargo de ministro-chefe da Casa Civil.

Reunião suspeita

A associação Anticor suspeita que Kohler tenha participado de uma reunião no Ministério da Economia, em março de 2017, que visava evitar a falência do estaleiro STX France, baseado em Saint-Nazare. Kohler, que na época fazia campanha para Macron, esperava incorporar a empresa à MSC. Em 2010, ele chegou a participar como representante do Estado no conselho de administração do estaleiro francês, afirma a associação. No final, a STX France acabou sendo adquirida pelo concorrente italiano Fincantieri.

Interrogado pelo site investigativo francês Médiapart, Alexis Kohler declarou que “sempre informou sua chefia das situações nas quais poderia haver conflitos de interesses”. Segundo a presidência francesa, as informações publicadas pelo Mediapart contêm vários erros.