rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
RFI CONVIDA
rss itunes

Tatiana Leskova, testemunha viva da história do balé, é homenageada em Paris

Por Elcio Ramalho

A ex-bailarina, coreógrafa e professora de balé Tatiana Leskova será homenageada no dia 22 de junho pelo Centro Cultural do Brasil em Paris. Ela, que dançou pelo mundo todo, mas escolheu o Brasil como pátria, continua montando espetáculos, aos 95 anos de idade.

Filha de pais russos, Tatiana Leskova nasceu em Paris, onde começou o balé, ainda criança. Aos 14 anos, começou a trabalhar na Opéra Comique de Paris, antes de integrar o Ballet Russes. Com a companhia criada por Serge Diaghilev, que marcou a história da dança, a jovem viajou o mundo, passando pela Austrália, Estados Unidos e México, antes de desembarcar no Rio de Janeiro, em 1942. Em meio à Segunda Guerra Mundial, decidiu ficar no Brasil, onde vive desde 1944, e construiu uma carreira que contou com a direção do Corpo de Baile do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, nos anos 1950, e a criação de uma escola de dança que formou gerações inteiras de bailarinas profissionais e amadoras.

“Na França não me consideram francesa, na Rússia não me consideram russa e no Brasil dizem que eu não sou brasileira”, explica Leskova, que prefere se definir como “uma bailarina solta no mundo”. Mas foi no Rio de Janeiro que passou a maior parte de sua vida.

Mesmo sendo uma bailarina clássica vinda de uma companhia internacional, ela lembra que chegou a dançar no Copacabana Palace. “Não era o meu lugar, mas eu precisava trabalhar”, conta Tatiana, que ajudava financeiramente sua família, que continuava na Europa do pós-guerra. Logo depois foi contratada pelo Teatro Municipal de São Paulo, onde atuou durante dois anos como bailarina estrangeira, antes de integrar o Corpo de Baile. “Mas só podia me tornar funcionária se fosse brasileira. Então obtive a nacionalidade. Quem assinou meu ato de naturalização foi Getúlio Vargas”, se recorda.

Brasileiro não nasce disciplinado

Essa trajetória foi marcada por muito rigor e uma reputação de professora exigente. “Sou muito dura. Sou a dona Chateana”, brinca, em trocadilho com seu nome. “Eu acho que o brasileiro não nasce disciplinado. Então, para segurar esse temperamento agitado foi difícil. Mas tive uma vida maravilhosa”, conta Tatiana, que continua trabalhando. “Há quatro anos montei dois balés para o Corpo de Baile do Municipal do Rio de Janeiro, há dois anos montei mais outro e, este ano, montei ‘Bodas de Aurora’, em São Paulo”, contabiliza.

Leskova não sabe exatamente quantos espetáculos já montou em sua vida. “Minha matemática não é tão boa assim”, brinca. Mas guarda na memória datas importantes, além das lembranças de ter trabalhado com nomes como Stravinsky e Balanchine. Ela também é a única pessoa a ter o direito de montar as obras de Léonide Massini. Por esse motivo, os jornalistas na Europa costumam chamá-la de "enciclopédia da dança".

A homenagem feita pelo Centro Cultural do Brasil será realizada na Maison de l’Amérique Latine, em Paris.

Sabores do Brasil recebe “30% de brasileiros saudosos e 70% de franceses curiosos” em Paris

Inimigo no fascismo brasileiro é o pobre, diz pesquisadora do voto em Bolsonaro

Cantor Renato Fagundes traz a Paris tradição e modernidade da cultura gaúcha

Da extrema-direita à esquerda: populismo tem faces distintas na Europa e na América Latina, diz especialista

“Lula adiou troca e prejudicou campanha de Haddad”, diz analista David Fleischer

"Bolsa Família é grande aliado para quem deseja fazer ajuste fiscal no Brasil", afirma Marcelo Neri

Novo livro de Jean-Paul Delfino traz personagem imortal que viveu no Brasil

“Ataque corrobora ânimo de briga manifestado por Bolsonaro”, diz cientista político da UFMG

Em Perpignan, a fotógrafa brasileira Alice Martins expõe imagens da guerra na Síria

“Atlas do Agronegócio revela a complexa cadeia do setor agroindustrial”, diz coordenadora

"Assegurar preservação do patrimônio é responsabilidade da sociedade", diz presidente do Ibram sobre incêndio no Museu Nacional

“Quero nossa democracia de volta” pede cineasta brasileiro Fellipe Barbosa em Veneza

“Mulheres brasileiras sempre foram vistas como patrimônio do homem”, diz diretora-presidente da ONG Artemis

“Mulheres negras e indígenas representam o feminismo de resistência brasileiro”, afirmam pesquisadoras

Apesar da crise, brasileiros participam de Encontro Mundial das Famílias em Dublin

Instrumentalização política dos migrantes alimentou xenofobia em Roraima, diz professor da UFRR

"Tenho uma parte da história do Brasil nos meus arquivos", conta a fotógrafa Rosa Gauditano

Após turnê internacional, cantora Flávia Coelho volta ao estúdio em Paris para gravar 4° álbum