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Um pulo em Paris
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França tem Copa sem telões, com presidente torcedor e música para Depardieu nas arquibancadas

Por Adriana Moysés

A Copa da Rússia começou numa atmosfera morna na França. A seleção francesa estreia neste sábado (15) contra a Austrália, em Kazan, a 720 km de Moscou, e é aí que a torcida vai se animar. A ausência de telões gigantes em praças e parques, uma ruptura em relação a Copas anteriores, é o ponto fraco deste Mundial.

Por causa do risco terrorista e da escassez de policiais para garantir a segurança, o Ministério do Interior só está permitindo a instalação de telões no espaço público se o policiamento for pago com verba dos municípios. Paris, por exemplo, abriu mão e não terá nenhum local de transmissão de jogos na rua.

Em toda a região metropolitana de Paris, apenas Noisy-le-Grand, em Seine Saint-Denis, criou uma fan-zone para receber 3 mil pessoas num parque local, com telão. O prefeito decidiu exibir 33 dos 62 jogos da Copa e investiu € 60 mil dos cofres municipais. Cerca de € 13 mil serão gastos na segurança dos torcedores.

Sem espaços de comemoração pública, o Mundial da Rússia vai ser a "Copa dos bares" de Paris. Já é uma tradição os franceses assistirem a jogos de futebol e de rugby nos fins de semana nos bares da capital. É a melhor alternativa para quem quer estar num ambiente animado. Os jornais publicam inclusive dicas de bares onde brasileiros vão se reunir. Os pubs ingleses e irlandeses também devem ficar lotados. Para quem não gosta de futebol, a opção são os bares sem TV. Eles também fazem promoções atraentes.

Uma pesquisa publicada pelo jornal Le Parisien mostrou esta semana que 53% dos franceses têm uma imagem ruim da atual seleção francesa. Entre os torcedores que gostam de futebol, 85% apreciam a seleção do técnico Didier Deschamps.  Mas, contando toda a população, esse índice cai para 46%. Cerca de 30% dos entrevistados disseram gostar "pouco" dos Bleus, como é chamada a seleção francesa, e 23% "não gostam de jeito nenhum".

Trabalho ao ritmo da Copa
 
Nos últimos dias, as lojas registraram uma explosão de vendas de aparelhos de televisão. Algumas redes notaram um aumento de 50% a 60% no faturamento.

Grandes empresas instalaram salas com TVs ou telões para que as pessoas possam assistir pelo menos aos jogos da França durante o horário de trabalho. É o caso do banco Crédit Agricole, um dos patrocinadores da seleção francesa. Os 9 mil empregados do grupo poderão fazer uma pausa para ver o futebol. A direção do banco acredita que os colaboradores trabalharão com mais motivação e serão mais produtivos se puderem acompanhar a Copa.

Seleção brasileira

Lojas, bares e supermercados já estão decorados com as cores das seleções. A bandeira do Brasil aparece com destaque nas vitrines. Há muita esperança nesta seleção do técnico Tite. Os jornais repetem diariamente que o Brasil, ao lado da Alemanha e da Espanha, é o grande favorito deste Mundial. Gente famosa, como Daniel Cohn-Bendit, que liderou o Movimento de Maio de 68 na França e é um grande torcedor de futebol, ontem mesmo contava em uma entrevista que é fã do futebol brasileiro e de Neymar.

Depardieu: vai gelando a vódca

Os franceses são realistas. Eles sabem que o time atual tem problemas, principalmente no meio-campo e na defesa. A própria imprensa esportiva vê a França chegando até as semifinais, mas ainda não consegue ver os Bleus levantando a taça.

Como toda torcida, os franceses já têm seus cânticos para a Copa de 2018. O mais engraçado deles, que viralizou nas redes sociais, é um canto que faz referência ao ator Gérard Depardieu, que se mudou para a Rússia fugindo da alta de impostos na França e é conhecido por bebedeiras homéricas. O refrão diz: "Gérard Depardieu, vai preparando para a gente a tua vódca, vamos ganhar na tua casa". Amigo do presidente Vladimir Putin, Depardieu foi presenteado com a nacionalidade russa em 2013.

Macron põe pressão nos jogadores

Neste momento, a França tem um presidente que adora futebol. Emmanuel Macron torce para o Olympique de Marselha e está de olho no desempenho da seleção francesa. Ao lado da primeira-dama, Brigitte, Macron almoçou com os jogadores e a equipe técnica no centro de Clairefontaine (o equivalente da Granja Comary) na semana passada. "Uma competição é boa quando é vencida", disse Macron, pressionando os jogadores a trazer a segunda estrela para casa, depois da única vitória na Copa de 1998.

Se os franceses chegarem às semifinais, Macron prometeu viajar à Rússia e assistir a todos os jogos da etapa final.

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