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Vencedor do Prêmio Icatu, maestro brasileiro estreia em Paris novo sistema musical que homenageia Bach

Por Márcia Bechara

Compositor, violinista e pianista, ele foi convidado de grandes orquestras brasileiras, depois de sua participação no concurso mundial Maazel, em 2002. Atualmente chefe da Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro, ele apresentou na Cité Internationale des Arts, em Paris, a sua mais nova criação, "88 préludes pour 88 notes" ("88 prelúdios para 88 notas", em português). O RFI Convida nesta quinta-feira (28) o músico Mateus Araújo.

O chefe de orquestra explica que "88 préludes pour 88 notes" é um projeto especial, que comporta uma ideia relativamente simples, mas que ainda não tinha sido abordada por nenhum compositor na história. "Consiste em usar todo o teclado do piano. Por coincidência, todo o teclado do piano tem 88 notas, teclas, alturas diferentes. Queria saber como seria numa mesma música usar individualmente cada uma das 88 teclas sem nenhuma repetição", diz.

O maestro explica que toda a extensão do teclado deve ser tocada durante a obra, mas apenas uma vez. "Por coincidência, existem no céu 88 constelações. O trabalho é uma alusão a estas possibilidades, com desenhos particularmente distintos, mas que perfazem uma grande unidade", explica Araújo.

Grandes prelúdios foram tocados pela primeira vez em Paris

"Penso que às vezes as pessoas não calculam o quão difícil é compor. Existem exemplos de prelúdios muito famosos que foram estreados aqui em Paris, alguns dos mais importantes da história da música, como os 24 prelúdios de Chopin e os 24 prelúdios de Debussy, cada uma dessas peças exigiu mais de três anos de trabalho", conta o músico.

O compositor relata que contou com a ajuda da bolsa recebida quando ganhou o Prêmio Icatu de Artes, no Rio de Janeiro, para continuar a trabalhar no projeto. "Este era um sonho muito antigo. Graças à bolsa, pude me aconselhar com professores e atingir um alto nível. É uma hora de música conceitual, experimental, mas que faz as pessoas reagirem. Lido com registro super agudos e graves do piano, e tudo isso deve conviver na mesma peça. Ainda que hajam consonâncias, o teclado é tratado como um corpo único", afirma.

Inspirações: Bach, DNA da música ocidental

"Antes de qualquer coisa, essa obra é uma homenagem a Bach, que fez o sistema musical mais básico da história da humanidade, o cravo bem temperado, o sistema que é usado pela música ocidental, dividindo a oitava em 12 notas", explica Mateus Araújo. 

O músico detalha que essas possibilidades foram levadas a seus limites durante o século 20: "tivemos a música dodecafônica, que é a música atonal, que divide em poderes iguais estas doze notas musicais. Mas ainda não havia sido feito nada sobre toda a extensão de algum instrumento, usando toda a tessitura apenas uma vez", relata o maestro.

"Imaginei como seria possível buscar uma pequenina fração desta centelha bachiana sem repetir notas, aproveitando todas as notas do piano moderno... e este foi o começo de minha maior aventura musical. Então compartilho com vocês a partitura de meu primeiro prelúdio, o DNA deste projeto, a primeira de 88 constelações", diz.

Para finalizar, o músico cita o grande compositor Stravinsky, na Poética Musical: "Minha liberdade será tanto maior e mais significativa quanto mais estreitamente eu limitar meu campo de ação e me rodear de obstáculos."

*Para assistir a entrevista na íntegra, clique no vídeo abaixo:

 

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