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Metade dos migrantes do Aquarius quer pedir asilo na França

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Passageiros do Aquarius chegam à Espanha em 17 de junho Karpov/SOS Mediterranee/Handout via Reuters

Um dia após a chegada do navio Aquarius na Espanha, metade dos 630 migrantes já tem uma destinação certa em mente: a França. De acordo com informações do governo espanhol, a nação francesa é a preferida entre os estrangeiros que querem pedir asilo na Europa.


No último sábado, Madri anunciou ter aceito a proposta da França de acolher uma parte dos passageiros da embarcação, socorridos na noite do 9 ao 10 de junho na costa da Líbia. O porta-voz do governo francês, Benjamin Griveaux, estimou que ainda é impossível determinar um número de pessoas a serem recebidas em território francês.

Uma equipe do Gabinete Francês de Proteção dos Refugiados e Expatriados (OFPRA) viajará à Valência para determinar quantos migrantes a França poderia acolher. “Assim que as autoridades espanholas nos informar o número de pessoas em questão, o OFPRA irá à Espanha para realizar entrevistas e decidir se elas têm direito ao asilo”.

A falta de iniciativa da França quando o navio passou perto da Córsega gerou críticas no seio do partido do presidente Emmanuel Macron, o República em Marcha. Mas uma pesquisa publicada nesta segunda-feira (18) revela que a maioria dos franceses concorda com a atitude do chefe de Estado. De acordo com a enquete, feita pelo instituto OpinionWay, 56% estimam que a França fez uma boa escolha ao não ajudar os migrantes.

Oportunidade para a Espanha de se mostrar mais acolhedora que países vizinhos

O Aquarius ganhou notoriedade internacional ao ser recusado pela Itália e por Malta, quando navegava próximo aos dois países. Os mais de 600 migrantes a bordo, incluindo 140 menores – um deles nasceu dentro do barco –, receberam a permissão extraordinária de permanecer 45 dias na Espanha “por razões humanitárias”, enquanto aguardam um ultimato.

Aqueles que pedirem asilo político na Espanha poderão permanecer no território caso o dossiê seja aceito para examinação. “Nenhum processo de expulsão foi iniciado e ninguém foi detido em um centro de retenção”, comemorou Paloma Favieres, da Comissão Espanhola de Ajuda aos Refugiados (CEAR).

O chefe de governo socialista Pedro Sanchez vai na contra-mão de vários países europeus, que têm uma atitude anti-imigração cada vez mais acentuada – um posicionamento que parece condizer com a atitude dos espanhóis, que manifestaram solidariedade desde a chegada do Aquarius.

De acordo com o Eurobarômetro de 2017 da Comissão Europeia, a Espanha faz parte dos países mais tolerantes em termos de imigração: somente 26% dos espanhóis vê esse assunto como um “problema”, enquanto a média europeia é de 38%. Para a secretária geral da CEAR, Estrella Galan, esta é uma “oportunidade fantástica para que a Espanha defenda novas políticas na Europa”.