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Emmanuel Macron Pobreza Economia Copa de 2018

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Macron é criticado por adiar lançamento de plano de combate à pobreza em razão da Copa

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O presidente francês, Emmanuel Macron Ludovic Marin/Pool via Reuters

O adiamento do “plano de luta contra a pobreza” do governo Macron para o segundo semestre de 2018 tem levantado críticas na França. O chefe de Estado é acusado de ter mudado o calendário de lançamento por causa da Copa do Mundo da Rússia.


O projeto, que propõe uma série de medidas, deveria ser apresentado na semana que vem. “É um péssimo sinal”, declarou Eric Pliez, presidente do Samu Social de Paris. “É decepcionante”.

Anunciada em outubro, a elaboração do projeto já levou à criação de um cargo de responsável interministerial da pobreza, Olivier Noblecourt. Em março, seis grupos de trabalho entregaram 110 propostas para combater “o determinismo social”. Eles ainda aguardam o sinal verde do governo.

“Nos disseram que seria em maio, depois em junho, julho, agora setembro. Temos o direito de ficar decepcionados”, afirmou Pliez, para quem as propostas do projeto estão no caminho certo. “Sabemos que vai custar caro e que é preciso buscar financiamento, mas após as declarações sobre os excessos de gastos com a proteção social e o ‘punhado de dinheiro’, estamos pouco confiantes”.

“Empurrar os pobres para o fim da Copa do Mundo é uma péssima publicidade”

 Na quarta-feira (4), o anúncio do adiamento levantou críticas por acompanhar a vitória da equipe francesa na Copa do Mundo da Rússia. “Nós veremos se a França chega às semifinais ou não”, disse a ministra das Solidariedades, Agnès Buzyn, lembrando que tudo dependeria da disponibilidade de Macron, que prometeu ir à Rússia caso os “Bleus” chegassem a esse estágio da competição.

“Colocar o futebol como prioridade, em termos de comunicação, é algo desastroso”, criticou François Soulage, presidente da associação Alerte. “Perdemos a ocasião de colocar o plano em ação o quanto antes”, lamenta.

“Empurrar os pobres para o fim da Copa, francamente, é uma péssima publicidade”, disse o secretário-geral da Força Operária, Pascal Pavageau. “A equipe francesa não precisa de Macron e enquanto isso os menos favorecidos esperam…”, tuitou Olivier Faure, secretário do Patido Socialista (PS).