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“Cães dos poderosos”: animais de estimação de presidentes franceses são capa da revista do Le Monde

Por Márcia Bechara

A revista M do jornal Le Monde traz uma reportagem de capa esta semana sobre uma tradição “nascida na 5ª República” da França: o hábito dos chefes de Estado de manter um cão de estimação no Palácio do Eliseu, sede oficial do governo francês, em Paris.

Quem deu início à tradição, segundo a revista, foi o ex-presidente francês Georges Pompidou durante seu mandato (1969-1974).  “Mesmo sendo sinceramente amados, como Baltique (de François Miterrand), Maskou (de Jacques Chirac), Philae (de François Hollande) ou o recente Nemo (de Emmanuel Macron), eles são, antes de tudo, ferramentas úteis de comunicação, capazes de oferecer um rosto mais humano aos animais políticos, seus donos”, diz o periódico.

A revista M lembra que o novo “locatário do Eliseu”, o presidente francês Emmanuel Macron, “não perdeu tempo e, nem tinha ainda chegado direito ao castelo quando sua esposa, Brigitte, se precipitou numa sociedade protetora de animais e adotou Nemo, um macho de dois anos, mistura de griffon e labrador  preto”. Para o historiador Christian Delporte, entrevistado pela revista, a escolha de Madame Macron não foi mera coincidência.

“Em termos de comunicação, é genial”, constata o especialista. “Macron tem uma imagem de dureza, de arrogância e de distância com os franceses. Adotar um cachorro vira-lata abandonado é dizer – ‘sou generoso’. E o melhor de tudo, o cachorro havia sido abandonado em Tulle, na região de Corrèze, reduto de seu predecessor, François Hollande.

Segundo Delporte, um cachorro “adoça a imagem de um presidente, significa que não somos egoístas, que sabemos cuidar dos outros”.  A revista M afirma ainda que, sendo um profissional minucioso da comunicação, Macron aproveitou ao máximo a chegada de seu animal ao Eliseu. “Nemo foi fotografado de todos os ângulos com o presidente e sua esposa e foi até filmado, em outubro de 2017, durante uma reunião de ministros no Eliseu, fazendo xixi num canto da chaminé. Macron e os ministros fizeram piadas e a sequência filmada rodou as redes sociais. Quem pode repreender um cachorro de presidente de mijar no tapete? ”, pergunta.

Labrador é “força tranquila

Cachorro sim, mas nem todo tipo de cão é adequado para a presidência da França. Segundo Pascal Picq, paleo-antropólogo, “não imaginamos um pastor alemão, um doberman ou um rottweiler no Eliseu. O labrador tem uma força tranquila”, diz. Justamente, o mais célebre dos labradores presidenciais foi a cadela de Mitterrand, Baltique, que quase virou um símbolo nacional. Ela acompanhou seu dono a partir de 1987 e se encontrava nos degraus da igreja de Jarnac, durante seu funeral, afirma a revista M.

Segundo o veterinário que acompanha os presidentes franceses há décadas, François Lubrina, afirma que “os animais são verdadeiros reveladores de personalidade”. “Eu não compartilho suas opiniões políticas, mas François Hollande tem qualidades humanas. Ele espera que você tenha acabado de falar antes de te levar à porta; Sarkozy estava sempre apressado”, diz o especialista, que não gosta do ex-presidente de Os Republicanos. Sarkozy entregou seu cachorro a outra família, quando saiu do Eliseu.

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