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França Emmanuel Macron Censura Assembleia Oposição Popularidade Escândalo Alexandre Benalla

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Popularidade de Macron despenca e oposição pede moção de censura

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Premiê francês Edouard Phillippe é sabatinado no Congresso nesta terça-feira, 24 de julho de 2018. REUTERS/Philippe Wojazer

Os deputados franceses do partido conservador Os Republicanos (LR) decidiram apresentar uma moção de censura contra o governo do presidente francês, disse nesta terça-feira (24) seu líder na Assembleia Nacional, Christian Jacob. A moção pode ser votada também por parlamentares da esquerda e da esquerda radical. No entanto, o partido de Macron, A República em Marcha (LREM), possui maioria absoluta na casa.


A primeira grande crise política da era Macron cristalizou-se nesta terça-feira no parlamento francês, com o anúncio da apresentação de uma moção de censura contra o presidente francês e o governo sendo convocados pela sociedade civil a responder às questões dos deputados com relação ao escândalo Benalla, o assessor de segurança, próximo do presidente, que teria abusado de sua autoridade para agredir manifestantes durante os protestos do 1° de maio em Paris.

Christian Jacob, líder de Os Republicanos, reconheceu nesta terça-feira (24), no parlamento francês, que a moção “não derrubaria o governo", dada a larga maioria conquistada na casa pelo partido do presidente francês, A República em Marcha (LREM) e seus aliados centristas do MoDem. "Nós sabemos muito bem que ele não vai cair, somos uma minoria na Assembleia, mas queremos que ele se explique", disse Jacob.

A moção LR, "assinada apenas por membros do partido", pode no entanto ser votada por "quem quiser", "quaisquer que sejam suas afiliações políticas", acrescentou Jacob. Entrevistada pelo canal de TV BFMTV, a deputada da França Insubmissa, Danièle Obono, disse que seu partido tentava apresentar sua própria moção aos comunistas e socialistas. Mas de acordo com os "termos" da moção LR, "nós podemos votar a favor", disse.

A apresentação da moção é esperada para os próximos dias, segundo uma fonte próxima ao partido Os Republicanos.

Popularidade em baixa

A popularidade de Emmanuel Macron atingiu seu nível mais baixo desde setembro de 2017, com apenas 32% de opiniões favoráveis (-4 pontos), de acordo com uma pesquisa da Ipsos publicada nesta terça-feira, realizada logo após o início do caso Benalla.

Para o porta-voz do PS Boris Vallaud, o escândalo "mancha a prática do poder". "Um poder arrogante é agora lembrado da realidade de suas obrigações democráticas", completou.

O Instituto Ipsos lembra que "os presidentes geralmente não sofrem com queda de popularidade durante as férias, antes do início do ano letivo; o verão é propício a um melhor estado de espírito dos franceses".

“Escorregada individual”

O caso Benalla é o resultado de ‘uma escorregada individual’”, não "uma questão de Estado", disse nesta terça-feira o primeiro-ministro Edouard Philippe, sem negar que “a proporcionalidade da sanção” infligida a Benalla, em maio, pode “ser discutida”. "Uma escorregada individual por parte desta pessoa encarregada da segurança não o transforma em um assunto de Estado", declarou o Phillippe durante sabatina perante a Assembleia Nacional, o Congresso francês.

Respondendo a Valérie Rabault, presidente do grupo Nouvelle Gauche (o antigo PS, Partido Socialista), o chefe do governo francês repetiu que uma "sanção eficaz" foi tomada contra Alexandre Benalla: "Nada foi mascarado, nada foi omitido”. "Uma república exemplar não é uma república infalível", disse o primeiro-ministro a Marc Fesneau, presidente do grupo de parlamentares centristas Modem.

Edouard Philippe se pronunciou em uma atmosfera elétrica em frente a um hemiciclo [como é conhecida a Assembleia Nacional francesa] quase cheio, após a divulgação de vídeos mostrando Alexandre Benalla, um colaborador próximo do chefe do Estado, atacando e abusando de dois manifestantes no dia 1º de maio. O premiê fez questão de destacar a presença de uma "resposta administrativa, judicial e parlamentar" a este caso, o que "é raro".

O secretário-geral do Eliseu, Alexis Kohler, braço direito do chefe de Estado, vai responder na quinta-feira às questões dos senadores franceses sobre o escândalo. Várias outras audiências de autoridades estão planejadas, seja na Assembleia ou no Senado.

"A geração Macron é repentinamente pega em uma realidade eterna da vida política: a tentação do abuso de poder", comentou na sexta-feira o jornal suíço Le Temps. "A revelação do comportamento duvidoso do dispositivo de segurança do Palácio do Eliseu atordoa o país: nada vai mudar nos corredores do poder", disse nesta terça-feira (24) o jornal francês Le Figaro em seu editorial.