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França tem os impostos mais altos da União Europeia

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A França é o país da União Europeia em que os cidadãos mais pagam impostos. Pixabay

"França é a campeã de impostos na Europa" é a manchete de capa do jornal Le Figaro desta sexta-feira (27). O diário publica um estudo que mostra que a partir de hoje os franceses trabalham para si mesmos e não mais para financiar os serviços públicos.


"Hoje é o Dia D para a liberação fiscal dos franceses", diz a matéria publicada por Le Figaro. Segundo o estudo do Instituto Econômico Molinari, a França conserva o título de país com os mais altos impostos na Europa. "É a nação europeia onde os cidadãos começam a trabalhar mais tarde para que eles mesmos possam aproveitar o fruto de seus esforços, no lugar de financiar - através de impostos, cotizações e outras contribuições sociais - os gastos do Estado e da Seguridade Social", escreve o diário.

De acordo com os cálculos do Instituto Econômico Molinari, 56,73% do salário anual dos franceses vai para o fisco. Isso faz com que, segundo Le Figaro, a cada € 100 que o trabalhador recebe por mês, ele tenha que desembolsar € 131 para os gastos do Estado. Atrás da França, os países em que os cidadãos mais pagam impostos na União Europeia são a Áustria, a Bélgica, a Alemanha, a Grécia e a Itália, onde mais de 50% do salário anual vai para os cofres públicos.

A situação já chegou a ser pior. Em relação a 2017, o trabalhador francês ganhou dois dias: ou seja, há um ano, o dia da liberação fiscal era ainda mais tarde.

A média do salário obtida pelo instituto é uma prova das desigualdades sociais no país. Os números utilizados pelo instituto calculam uma renda média anual de € 56.815, o que representaria um salário de € 4.734 euros por mês, um valor considerado excessivo pelo jornal Le Figaro. Afinal, a realidade é outra, considerado que o salário mínimo na França está hoje em € 1.480.

Meta de Macron: baixar despesas públicas

O presidente francês, Emmanuel Macron, promete se esforçar para penalizar menos os cidadãos com os impostos. "De acordo com documentos enviados à Bruxelas, ele tem a ambição de baixar as despesas públicas em quatro pontos do PIB até 2022", destaca Le Figaro. Mas, na prática, o cancelamento em janeiro de uma parte das cotizações salariais não serviu para aliviar o peso global dos impostos, reitera o jornal.

"Bem-vindos a esse país único que acumula arrecadações recordes, gastos públicos abissais e déficits crônicos", diz o editorialista do Le Figaro, para quem a França está à deriva financeira. Quem mais sofre, salienta o jornal, é o trabalhador médio, abusado por décadas de promessas não cumpridas e que exige que seus representantes façam progressos sérios em relação às despesas públicas, como fizeram outros países europeus.