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França deixa de reembolsar remédios considerados ineficazes contra o Alzheimer

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A Doença de Alzheimer é uma enfermidade incurável que se agrava ao longo do tempo. Pixabay

Medicamentos anti-Alzheimer deixam de ser reembolsados pela seguridade social na França a partir desta quarta-feira (1°). Eles foram julgados insuficientemente eficazes e potencialmente arriscados pelo Ministério da Saúde do país. A medida afeta quatro medicamentos e seus genéricos que tratam os sintomas da doença de Alzheimer. No Brasil, medicamentos com os mesmos princípios ativos são distribuídos gratuitamente pelo SUS, o Sistema Único de Saúde.


Os medicamentos Aricept, Ebixa, Exelon e Reminyl, além de seus genéricos, eram reembolsados em até 15% pelo Estado francês, o que contabilizou um investimento de cerca de € 90 milhões em 2015. A medida é altamente contestada por associações de pacientes e parentes de pessoas com Alzheimer e foi publicada no Diário Oficial, na França, nesta quarta-feira (1°).

Ao canal de TV Europe 1, a ministra da Saúde, Agnès Buzyn, assegurou que se trata de uma decisão "puramente médica": "Segui a opinião científica da Alta Autoridade de Saúde da França, que é paga para avaliar os medicamentos", disse ela. No entanto, cinco grandes instituições científicas francesas disseram em um comunicado conjunto na terça-feira (31) que "os remédios não mostraram efeitos prejudiciais se forem bem utilizados, respeitando contraindicações e precauções de uso, como evidenciado pela falta de sinais de alerta da vigilância sanitária de diversos países".

Dinheiro será direcionado para acompanhamento de pacientes

Para minimizar as críticas, a ministra disse que "todo o dinheiro que será economizado [com o não reembolso destes medicamentos pela seguridade social] será completamente redirecionado para o acompanhamento de pessoas com a doença de Alzheimer, seja para os centros especializados em memória ou para o setor médico-social responsável por suas despesas médicas", disse. "Não haverá economias com pacientes, mas o que importa é que sejam bem acompanhados", acrescentou Agnès Buzyn.

Segundo o jornal francês Le Figaro, a decisão era “previsível”, uma vez que a Comissão de Transparência da Alta Autoridade de Saúde (HAS), da qual Agnès Buzyn era presidente, rebaixou em 2016 para a categoria de "serviço médico insuficiente" os seguintes medicamentos administrados na doença de Alzheimer: Ebixa (do laboratório Lundbeck), Aricept (Eisai), Exelon (Novartis Pharma) e Reminyl (Janssen Cilag). O HAS forneceu à então ministra da Saúde, Marisol Touraine, um relatório técnico contra o reembolso desses medicamentos. Touraine, no entanto, havia prometido em outubro de 2016 que esses remédios não seriam retirados da lista de reembolso da seguridade social.

Associações denunciam “decisão perigosa”

Em um comunicado, a associação France Alzheimer & doenças relacionadas afirmou que se trata de uma decisão "infundada e perigosa": "Para as famílias que não podem pagar, tememos simplesmente uma interrupção dos cuidados necessários".

A chefe do Centro da Memória de Lille, Florence Pasquier, professora de neurologia do Hospital Universitário de Lille, disse ter ficado "completamente desapontada” com o anúncio: "Alguns clínicos gerais estão me perguntando: o que diremos aos nossos pacientes, que estão se saindo melhor desde que eles tiveram o tratamento? O que vamos fazer com aqueles que não podem pagar os custos mensais [€ 30, por volta de R$ 131] do tratamento? ”, afirmou.