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Gastos com segurança ameaçam festivais de verão na França

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Festivais a céu aberto, tradicionais durante o verão no hemisfério norte, tiveram que reforçar a segurança diante da ameaça terrorista. Getty Images/avid Wolff - Patrick / Contributeur

O governo francês decidiu cobrar dos organizadores de festivais culturais uma contribuição financeira para cobrir os gastos com o envio de policiais responsáveis pela segurança. Temendo o impacto no orçamento, alguns organizadores de eventos culturais já cogitam cancelar suas edições deste ano.


Diante da ameaça terrorista na França, as exigências em termos de segurança em grandes manifestações culturais a céu aberto são cada vez maiores. Festivais de música, dança e teatro redobram seus esforços para garantir a tranquilidade do público, contratando agentes privados e solicitando reforço da polícia. No entanto, o ministro francês do Interior, Gérard Collomb, decidiu que a partir de agora os organizadores deverão contribuir financeiramente cada vez que a presença de policiais for necessária.

De acordo com a medida, os festivais vão ter que desembolsar € 20 por hora para cada agente presente. O número de policiais necessários será definido em função do público. Além disso, os organizadores terão que pagar para a instalação de materiais especiais usados na segurança, como blocos de cimento para fechar ruas, barreiras metálicas que cercam os palcos ou câmeras de vigilância.

O governo pretende enviar policiais gratuitamente apenas para eventos que considere representar um alto risco de ataque terrorista. No entanto, os critérios que determinam esse perigo não são claros e praticamente todos os festivais podem receber uma fatura salgada, o que suscita críticas.

Eventos como Les Eurockéennes de Belfort (nordeste), realizado no início de julho, e que viu passar por seu palco artistas como Texas ou Beth Ditto, já teve que desembolsar a contribuição para a presença da polícia. O evento musical viu seus gastos com segurança passar de € 30 mil para € 254 mil este ano.

Temendo o impacto no orçamento, alguns organizadores de festivais menores e independentes decidiram simplesmente cancelar a edição deste ano, como o Champs Libres, na cidade Saint-Molf (oeste). Outros diretores de festivais já se questionam sobre a realização na próxima temporada.

O governo tenta tranquilizar os organizadores. Em um comunicado comum, a ministra da Cultura, Françoise Nyssen, e Gérard Collomb prometeram levar em consideração a fragilidade financeira de alguns festivais.