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Debate sobre a homeopatia está apenas começando, diz imprensa francesa

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Imprensa francesa destaca polêmica sobre medicamentos homeopáticos, 8 de agosto de 2018 Fotomontagem RFI

O Ministério da Saúde da França está prestes a avaliar a real eficácia da homeopatia. O principal objetivo é saber se o governo continuará subsidiando este tipo de remédio. Enquanto a tomada de decisão não chega, a guerra entre os pró e os contra não para de crescer.


“A feroz batalha da homeopatia”. Este é o título estampado na primeira página do jornal Aujourd’hui en France desta quarta-feira (8). A publicação destaca a crescente polêmica sobre a eficácia deste tipo de tratamento, após o anúncio de que a Agência Nacional de Saúde Pública irá avaliar a questão.

O debate no país ficou mais acirrado após uma matéria publicada pelo jornal Le Figaro em março, na qual 124 médicos assinaram uma tribuna para denunciar a prática de medicinas alternativas. “Os homeopatas fazem os pacientes acreditar em um mito e muita gente acaba tomando esse tipo de medicamento até para patologias mais graves, o que é preocupante”, afirmou Céline Berthié, médica que também contribuiu para a tribuna do Le Figaro.

Guerra declarada

O Sindicato Nacional dos Médicos Homeopatas (SNMHF) levou a disputa para além da imprensa e entrou com um processo no Conselho Nacional de Medicina alegando uma falta de “companheirismo” e a quebra do “código de deontologia”. Desde então, a guerra está declarada.

Os “124”, como são chamados os médicos que escreveram no Le Figaro, criaram uma associação batizada de “Coletivo Fakemed” (falsa medicina) e receberam o apoio de várias personalidades incluindo dois antigos ministros da Saúde: Michèle Delaunay e Claude Evin. Do outro lado, muitos pacientes adeptos da homeopatia organizaram petições online.

No site Change.org, uma delas já recolheu mais de 30 mil assinaturas e prega o “não ao fim do subsídio à homeopatia”. Outra, no site PureSanté, que apoia uma “saúde natural” já conta com mais de 230 mil. “Um terço dos franceses percebe a eficácia concreta dos medicamentos homeopáticos”, diz a petição.

Europa

A ministra da Saúde, Agnès Buzyn, afirma que o objetivo do governo é definir e concentrar os gastos públicos, considerado um investimento coletivo, nos tratamentos mais eficazes.

O chefe da redação do Aujourd’hui en France, Stephane Albouy, lembra que a Inglaterra já começou a pedir para que os médicos e hospitais parem de receitar tratamentos homeopáticos. Na Espanha, são as universidades que cancelaram cursos sobre o tema.

“Os mais de 5 mil médicos franceses especializados em homeopatia, no país que mais consome esse tipo de medicamento, vai no mínimo estender o debate por mais tempo”, concluiu Albouy.