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"Vitimização de Lula é estratégia do PT para angariar votos", diz cientista político

Por Maria Paula Carvalho

O Brasil está diante de uma das eleições mais imprevisíveis dos últimos tempos. E de um pleito que tem uma importância simbólica: será o primeiro após o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016. Sobre esse cenário eleitoral, a RFI conversou com Gama Perruci, professor de Estudos de Liderança no Marietta College, de Ohio, e doutor em Ciência Política pela Universidade da Flórida.  

“Do ponto de vista do número de candidatos, não é algo diferente de outras eleições. Nós temos agora 13 candidatos que estão registrados, mas quando nós vemos quais são as candidaturas viáveis, nós vemos que só três ou quatro candidatos têm possibilidades reais. Isso se a candidatura de Lula for aceita e ele puder disputar as eleições”, avalia o cientista político.

O anúncio da candidatura de Lula, no último dia 15, virou um ato simbólico do Partido dos Trabalhadores. E, apesar de Lula estar na cadeia, condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, ele aparece bem posicionado nas pesquisas de intensão de voto. Porém, no Brasil, existe a lei da Ficha Limpa, através da qual um condenado em segunda instância não pode se candidatar a cargo eletivo. Para Gama Perruci, a escolha da candidatura de Lula, tendo Fernando Haddad como vice, faz parte da estratégia política do partido.

“E uma estratégia política mas também tem, do ponto de vista individual, o objetivo de dizer que o Lula é uma vítima, a maneira de apresentar o Lula como sendo uma vítima de um complô político, não foi o caso na justiça. Então com a apresentação da candidatura dele, mesmo que seja decidido que ele não está elegível a participar, de acordo com o Partido dos Trabalhadores (PT) haveria mais apoio ao partido através dessa decisão, essa é a minha análise”, conclui.

Lula foi condenado pelo juiz Sérgio Moro, em primeira instância, e teve sua condenação confirmada depois pelo TRF 4 e a pena aumentada. Agora, cabe ao Tribunal Superior Eleitoral decidir sobre o caso até dia 17 de setembro, data limite para que os partidos possam substituir os candidatos e incluir outros nomes nas urnas.

Polarização política

Assim como em 2014, o Brasil vive uma forte polarização política. Uma parte do eleitorado fala em golpe na democracia. Já para outros, as instituições nunca estiveram tão fortes, a ponto de haver espaço para condenações de poderosos empresários e mesmo de um ex-presidente. Gama Perruci acredita que o país vive um momento ímpar.

“Eu considero que esse período agora no Brasil é um período muito importante com relação à corrupção. O meu ponto de vista é que toda essa disputa, de certa forma, apresenta um lado positivo, mesmo que tenha esse distúrbio da parte política, a parte positiva é que a democracia tem esse tipo de briga, mas o fato de a corrupção estar sendo investigada, desse ponto de vista é um fator positivo. E de certa forma, os candidatos do centro estão perdendo muito o apoio do eleitorado. Então, essa divisão de esquerda e direita, eu creio que seja um movimento global, não é só brasileiro”, explica.    

A opção pelo (PSDB), de Geraldo Alkmin, carrega, também, o apoio de partidos mais tradicionais, sendo que muitos deles enfrentam forte rejeição frente ao eleitorado, havendo casos de corrupção ainda em investigação envolvendo nomes desses partidos. Perruci diz que o apoio ao "centrão" depende de algumas variáveis na disputa.

“O 'centrão' depende, de certa forma, que os candidatos da esquerda e da direita possam perder apoio de acordo com escândalos ou a própria mídia dando aquela avaliação de medo, de que a vitória de um candidato da esquerda ou direita vai afetar, de modo radical, o futuro do país. Se esses extremos caírem, então o 'centrão' vai se beneficiar”.

Bolsonaro não ganha no primeiro turno

O cientista político radicado nos Estados Unidos também fala sobre a forte presença de Jair Bolsonaro, do PSL, nessas eleições. Ex-militar, representante da extrema direita, ele já foi comparado pela imprensa ao presidente americano Donald Trump por seu discurso populista e intolerância às minorias. Bolsonaro tem bastante apoio na Internet, mas deverá ter muito pouco tempo de televisão.  

“Eu não creio que ele tenha apoio suficiente para ganhar no primeiro turno”, avalia o cientista político. “Então a discussão é mais sobre o que pode acontecer depois do primeiro turno. É o líder, colocando a posição rígida de 'eu sou a resposta para todos os seus problemas'.  O grande medo dessa posição é que pode ganhar apoio nas eleições e depois, quando for eleito, vem uma dificuldade muito maior de ter uma posição coerente, que possa dar resultados”, conclui.

Esse ano, há um estreante na política: João Amoedo, do Partido NOVO. O candidato vem do mercado financeiro e, segundo Perruci, tem pouco espaço para divulgar sua plataforma. “É um discurso que tem suporte entre os empresários, mas não tem apoio nacional. Mas a gente não falou ainda sobre a Marina Silva (Rede). Eu diria que em terceiro lugar estaria a Marina Silva, que tem apoio global, não vai ter tanta presença na parte da televisão e publicidade, mas eu acho está desenvolvendo um programa coerente e que pode ter uma visibilidade”.

Segundo o especialista “a política brasileira ainda é muito baseada na personalidade e no populismo e isso, de certa forma, afeta a institucionalização da democracia”.

No entanto, a democracia brasileira está consolidada, destaca o professor. “Mesmo com as discussões sobre a ligação do Bolsonaro com as Forças Armadas, não estamos repetindo as condições da década de 1960 que deu o passo ao golpe militar, não estamos repetindo isso. A democracia está numa posição muito mais forte e segura se comparada com a década de 60”, conclui.  

 

 

 

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