rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Um pulo em Paris
rss itunes

Aplicativos para decifrar rótulos de alimentos e cosméticos conquistam franceses

Por Adriana Moysés

Os franceses aderiram em massa aos aplicativos que decifram os rótulos de alimentos e produtos de higiene e beleza nos supermercados. A preocupação com um estilo de vida saudável dita cada vez mais o comportamento dos consumidores, a ponto de incomodar os industriais.

No início de agosto, o aplicativo francês Yuka – semelhante ao brasileiro Desrotulando – ultrapassou o número de 5 milhões de usuários. O Yuka escaneia o código de barras do artigo, decifra as informações nutricionais e emite em segundos uma avaliação sobre seu impacto na saúde, usando quatro cores: vermelho significa ruim; laranja, medíocre; verde-claro, bom; e verde-escuro, excelente.

Na tela do telefone celular, ao lado da imagem do produto, aparece a pastilha com a cor e uma nota sobre 100. O consumidor também visualiza os defeitos do artigo (excesso de gordura saturada ou de açúcar, por exemplo) e as qualidades, que podem ser uma boa quantidade de fibras e proteínas.

O segredo do sucesso do Yuka é a linguagem simples. O aplicativo orienta o consumidor sem fazer referência aos termos técnicos que os industriais são obrigados a marcar no rótulo, mas que a maioria das pessoas não entende o significado. Se o produto é considerado ruim ou medíocre para a saúde, o aplicativo sugere alternativas com notas melhores na mesma categoria.

Na área de alimentação geral, o Yuka possui atualmente 200 mil produtos em sua base de dados. Como este mercado é extremamente competitivo, os industriais mudam com frequência as embalagens e fórmulas, substituem ingredientes e, a cada alteração, muda o código de barras. O trabalho de atualização é diário.

Existem outros aplicativos sobre alimentação mais segmentados. Alguns com o nome em inglês, mas criados por franceses. O Too Good To Go, que em tradução livre seria o equivalente a “bom demais para jogar fora”, é direcionado às pessoas que combatem o desperdício alimentar.

Por meio da geolocalização, esse aplicativo mostra na sua vizinhança onde você pode encontrar produtos próximos da data de vencimento em supermercados ou restaurantes. A pessoa paga um preço bem reduzido e leva para casa uma cesta de alimentos ainda bons para consumo, mas que não podem mais ser vendidos.

Ferramenta para alérgicos

O aplicativo Kwalito ajuda as pessoas que sofrem de intolerância alimentar. A pessoa escaneia o código de barras e verifica se o alimento corresponde à dieta desejada: sem lactose, sem glúten ou outros ingredientes potencialmente incômodos.

O Foodvisor – apesar do nome em inglês, este também é francês – usa recursos de inteligência artificial para ajudar numa dieta equilibrada. Por meio da análise de fotos dos alimentos, a ferramenta estima o número de calorias, de proteínas e fibras.

Para vegetarianos, existe o Veff’Up, que propõe receitas para quem se lança na alimentação sem proteína animal.

Cosméticos

O Yuka introduziu recentemente a avaliação de cosméticos. Cem mil rótulos entraram na base de dados da plataforma, incluindo xampus, condicionadores, tintas de cabelo, sabonetes, cremes hidratantes, desodorantes e dentifrícios. Em março passado, uma associação de consumidores franceses já tinha lançado um aplicativo específico nessa área – Quel Cosmetic?

Nesse caso, as substâncias nocivas apontadas são os potenciais desreguladores endócrinos, ingredientes irritantes para a pele ou que causam alergias, além de outras toxinas. Conservantes como o parabeno, por exemplo, foram proibidos na França. O fenoxietanol, um conservante que inibe a propagação de micróbios e é muito utilizado em cremes hidratantes, tem uma recomendação negativa da agência francesa de segurança dos medicamentos em produtos de higiene para bebês, mas não perdeu sua autorização.

O objetivo dos aplicativos é alertar os consumidores para a presença de produtos que hoje estão no mercado, mas que no futuro podem ser condenados.

Industriais são obrigados a reagir

Os industriais franceses estão cada vez mais sensíveis à vigilância dos consumidores. Nos últimos anos, o óleo de palma, um ingrediente amplamente utilizado em alimentos industrializados caiu em desgraça quando ongs denunciaram que sua extração causava o desmatamento de florestas nativas em países tropicais. As grandes marcas francesas foram obrigadas a substituí-lo nos produtos alimentares.

As menções "sem parabeno" e "sem álcool" passaram a fazer parte das embalagens de desodorantes e outros tipos de cosméticos. A transparência tornou-se um argumento de venda.

Mas a indústria também recorre a especialistas para criticar supostos exageros dessas plataformas colaborativas, lembrando que ingredientes são condenados sem o devido respaldo de estudos científicos.

Escândalos sanitários nas últimas décadas deixaram marcas nos consumidores. Desde a doença da vaca louca, passando pela carne de cavalo vendida como carne de vaca e o leite contaminado, além dos estudos que relacionam uma dieta pobre ao câncer, tudo isso levou os franceses a se preocupar mais com a saúde. Falta eles pararem de fumar.

Após semana de bloqueios do centro de Paris, Extinction Rebellion prepara novos protestos

Militantes são multadas por colarem cartazes contra feminicídio em Paris

Defesa do clima une ambientalistas, estudantes e coletes amarelos em manifestações em Paris

Uber, patinetes e bicicletas de aluguel saem ganhando com greve de transportes públicos em Paris

Campanha contra violência doméstica alcança forte impacto nas vítimas

Crédito imobiliário muito barato causa explosão no preço dos imóveis na França

Um ano após lei contra assédio de rua, França registra apenas 700 queixas

Amazon aumenta taxas de fornecedores para escapar de impostos na França

França ameaça tirar habilitação de motorista que dirigir falando no celular

Secador de cabelo de ouro e jantares de rei: ministro francês nega abusos e permanece no cargo

Hipódromo cria novas atrações e conquista público diversificado em Paris

Festa da Música mostra a grande diversidade de músicos profissionais e amadores franceses

Empresas francesas têm comprado silêncio de mulheres que denunciam casos de assédio