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Um pulo em Paris
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Demissão de ministro revela força do lobby dos caçadores na França

Por Silvano Mendes

O pedido de demissão do ministro francês da Transição Ecológica, Nicolas Hulot, trouxe novamente à tona o debate sobre a tradição da caça de animais selvagens no país. A pressão do lobby dos caçadores foi apresentada como a gota d’água que provocou sua saída do governo na terça-feira (28) e chamou a atenção para a ação dos grupos de influência na vida política.

Ao anunciar sua demissão, Hulot relatou que havia participado de uma reunião de trabalho para discutir a situação dos caçadores e, ao entrar na sala, se deparou com a presença de Thierry Coste, famoso lobista que atua junto à Federação Francesa dos Caçadores. O objetivo do encontro era falar do preço da licença obrigatória para os caçadores, que atualmente custa 400€ (quase R$ 2 mil). Depois de muito debate, o valor da autorização foi cortado pela metade. Para o ministro, o resultado da negociação foi mais uma prova da influência dos lobbies na vida política francesa e, diante da situação, preferiu renunciar.

Além de alertar para os lobbies, o episódio levantou novamente a questão da tradição da caça de animais selvagens na França. Segundo os últimos números oficiais (que datam de 2015), o país conta com mais de um milhão de praticantes cadastrados.

Essencialmente homens, eles vêm de todos os meios profissionais, sociais e econômicos. Além disso, a tradição de consumir carne de caça (gibier) é mantida em todo o país e são inúmeros os restaurantes onde é possível degustar javali, lebre ou gansos e patos selvagens.

Deputados “caçadores”

Organizados, além dos lobistas profissionais os caçadores também têm presença efetiva na Assembleia Nacional. Atualmente, 118 dos 577 deputados franceses fazem parte do chamado “Grupo da Caça”, formado por políticos que discutem e geralmente defendem abertamente os interesses da Federação dos Caçadores franceses. Eles representam um dos maiores grupos de parlamentares.

Durante as campanhas políticas, inclusive a presidencial, muitos candidatos também tentam seduzir esse eleitorado. Afinal, esses mais de milhão praticantes registrados, assim como seus familiares e amigos, podem pesar numa eleição. Por essa razão, os direitos dos caçadores são raramente questionados.

Caça presidencial e espécies protegidas em risco

O próprio presidente francês, Emmanuel Macron, disse durante sua campanha que gostaria de desenvolver as atividades de caça de animais selvagens. O chefe de Estado pretende, inclusive, ressuscitar uma velha tradição francesa: a Caça Presidencial nos arredores do castelo de Chambord, no Vale de la Loire. O ritual, que data da monarquia e que havia sido abolido por Jacques Chirac em 1995, tinha sua lista de convidados mantida em segredo, mas sabe-se que costumava reunir chefes de Estado, funcionários do alto escalão do governo e grandes empresários.

A Caça Presidencial ainda não foi oficialmente retomada, mas a prática continua em todo o país, inclusive em Chambord, a cerca de duas horas de Paris. Atualmente, durante 12 fins de semana por ano dezenas de caçadores se reúnem para caçar na região. Cerca de 40 javalis e cervos são abatidos diariamente nesse período de caça, que começa em setembro.

Os ecologistas geralmente contestam a tradição e lembram que a França é uma exceção na Europa: o país autoriza a caça de 64 espécies de pássaros, enquanto a média europeia é de apenas 14 espécies autorizadas. Entre os animais que podem ser abatidos, 20 espécies são consideradas em risco pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN, na sigla em inglês).

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