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Perpignan: festival destaca fotos de duas tragédias brasileiras

Por Patricia Moribe

O Festival de Fotojornalismo Visa Pour L’Image, de Perpignan, no sul da França, é parada obrigatória para os profissionais do setor. Para amantes da fotografia e turistas, é um evento excepcional para conhecer o trabalho de pessoas que rodam o mundo para contar histórias através de imagens.

Duas exposições mostram imagens do Brasil. Uma traz o Brasil do rio Doce, isto é, o “Rio Morto”, contaminado pelo rompimento das barragens da mineradora Samarco. Outra traz o Brasil como parte atuante da produção mega industrial de alimentos que avança pela Amazônia.

Usina de transformação de frangos na China. © George Steinmetz / Cosmos

O francês Samuel Bollendorf acompanhou jornalistas do diário francês Le Monde em várias partes do mundo ameaçadas pela contaminação, como Fukushima, no Japão, e o oceano Pacífico repleto de dejetos plásticos. No Brasil, o tema foi a catástrofe do rio Doce na região de Mariana.

Impunidade

“É horrível, pois a princípio são lugares muito bonitos, mas o que encontramos é um pesadelo. Conhecemos pessoas doentes, que perderam familiares, e que se sentem como Davi contra o gigante Golias, ou seja, pequenos demais para lugar contra lobbies poderosos e grupos industriais ligados à política e à justiça, e assim ficam impunes”, disse Bollendorf.

Samuel Bollendorff diante de uma foto sua do Rio Doce. (c) Patricia Moribe

O americano George Steinmetz é um fotógrafo conhecido por suas fotos aéreas. Armado de paraglider, drone e câmeras, ele sobrevoou estufas, plantações, criações e abatedouros, produzindo imagens impressionantes, coloridas e futurísticas. No Brasil, ele fotografou a produção industrial de ovos e carne de frango e porco, além de testemunhar o desmatamento da floresta amazônica.

Mundo natural vira industrial

George Steinmetz, em Perpignan. (c) Patricia Moribe

“O que me choca no Brasil é ver a Amazônia se transformando em zonas de cultivo. Não é o mundo que vai decidir o destino da Amazônia, é o Brasil. Mas acho que há uma ruptura entre a vida das pessoas na zona rural e urbana. Deveria haver mais conexão entre os dois lados. É perturbador ver o mundo natural se transformar em um processo industrial”, declarou Steinmetz à RFI Brasil.

A realidade nua e crua é obrigatória em Perpignan. A brasileira Alice Martins traz imagens duras da Síria, conflito que ela acompanha há seis anos. A americana Andrea Bruce mostra o problema da defecação ao ar livre e o saneamento em países carentes como Índia e Haiti. Ou ainda programas que deram certo, como no Vietnã. Cerca de 950 milhões no mundo não têm acesso a um sistema sanitário, provocando graves ameaças à saúde da população.

Militantes do grupo Estado Islâmico destruiram tumbas de aparência "não islâmica" do cemitério de Qayyarah, no Iraque. (c) Alice Martins

Do IRA a Cannes

O francês Yan Morvan revisita o conflito irlandês, com fotos do início dos anos 1980, quando as ruas de Belfast eram campos de batalha entre católicos e protestantes. Morvan acompanhou a greve de fome de Bobby Sands, integrante do IRA, o Exército Republicano Irlandês, que morreu aos 27 anos. Uma guerra sangrenta e tão recente.

Belfast, 7 de maio de 1981. Revoltas nos bairros católicos após a morte de Bobby Sands. (c) Yan Morvan

Já o chileno Edgard Garrido, baseado no México, acompanhou durante um mês uma caravana que atravessa o México, reunindo hondurenhos, salvadorenhos e guatemaltecos. Milhares de pessoas unidas pelo objetivo de chegar ao Eldorado, uma alegria inusitada e uma língua em comum, além de sonhos ou ilusões. “A viagem desperta a ilusão de que vão poder mudar de vida. É a motivação que os fazem sair de onde são originários, para deixar para trás um passado muitas vezes condicionado pela violência”, relata Garrido.

Migrantes centro-americanos atravessam México em trem de carga. © Edgard Garrido / Reuters

A premiada americana Paula Bronstein, da agência Reuters, está em Perpignan com uma exposição sobre os rohingya, minoria muçulmana que no ano passado foi manchete no mundo inteiro pela perseguição sangrenta sofrida em Miamar e a fuga para Bangladesh. “A tensão vinha crescendo há muitos anos. A maioria das pessoas nem sabia disso, até o momento em que a situação explodiu”, diz a fotojornalista sobre o genocídio que ganhou destaque em 2017, mas que ela acompanha desde 2012.

Paula Bronstein diante do cartaz do festival Visa pour L'Image com foto sua sobre a minoria rohingya. (c) Patricia Moribe

Passando para o lado mais glamour do fotojornalismo, Stephan Vanfleteren traz perfis dos últimos três anos de estrelas do cinema em Cannes, publicadas pelo jornal Le Monde. As fotos em poses às vezes inusitadas, mas sempre em preto e branco, contrastam com o mundo de brilho e paetês do badalado festival de Cannes.

O ator Jean-Pierre Léaud, ícone de François Truffaut, em Cannes, em 2016. (c) Stephan Vanfleteren

O festival Visa Pour L'Image acontece em Perpignan, sul da frança, até 16 de setembro.

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