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Macron anuncia plano de € 3,4 bilhões para revolucionar o sistema de saúde

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Macron quer revolucionar sistema de saúde Etienne Laurent/Pool via REUTERS

O presidente francês, Emmanuel Macron, apresentou nesta terça-feira (18) uma reforma chamada "Minha saúde 2022", que deve reforçar a oferta de cuidados médicos, com um investimento de € 3,4 bilhões até 2022. O chefe de Estado estimou que a França será reestruturada pelos próximos 50 anos e seu sistema de saúde deve se tornar um dos pilares do governo no século XXI.

 


Emergências “lotadas”, psiquiatria "em crise", estudantes de medicina "em sofrimento": após os alarmantes diagnósticos feitos nos últimos meses, o executivo finalmente decidiu investir na reconstrução de seu sistema de saúde. São cerca de cinquenta medidas, incluindo a extinção do primeiro ano comum aos estudos de saúde (PACES), que até então distribuía um número limitado de vagas para estudantes em medicina, odontologia, fisioterapia, farmácia e auxiliares de parto, muito concorridas e de difícil acesso. “O sistema é absurdo. Hoje existe um desperdício que diz respeito a 25 mil estudantes por ano”, diz Macron. Ele está projetando uma renovação completa dos estudos em saúde e justificou o fim do concurso no final do primeiro ano.

Emmanuel Macron anunciou também a gestão de emergências "não vitais" na cidade, "até 20 horas". "Uma em cada cinco emergências poderia ser tratada em uma consulta de medicina geral", argumentou ele. O chefe de Estado prometeu que os médicos serão "mais bem pagos, com um incentivo real" para este tratamento adicional.

O investimento é alto, mas os resultados devem ser vistos a longo prazo. Por enquanto, o executivo quer que os médicos aproveitem melhor o tempo e deve pagar caro por isso. Os créditos dos planos de saúde aumentarão 2,5% no próximo ano, ao invés dos 2,3% previstos, ou seja, cerca de € 400 milhões a mais. Uma extensão que financiará a criação de 4 mil cargos de "assistentes médicos", que devem "dispensar" os profissionais de tarefas administrativas e alguns "atos simples como medida de pressão ou temperatura". Em contrapartida, os profissionais terão que trabalhar em grupo ou dentro de uma equipe de atendimento, além de aceitar novos pacientes e garantir consultas sem agendamento durante o dia.

Hospitais locais serão referência em atendimento

Nos hospitais, o foco será a qualidade do atendimento. Até 2019, novos recursos estarão disponíveis para tratar doenças crônicas, como diabetes e insuficiência renal, incentivando hospitais e profissionais de saúde a coordenar e compartilhar um valor fixo. "Vamos transformar em referência entre 500 e 600 hospitais locais que realmente terão missões dedicadas à proximidade", disse Agnès Buzyn, ministra da Saúde na França, citando a medicina polivalente, a medicina geral, a geriatria e o acompanhamento.

"Às vezes, o bom desempenho não se trata apenas de uma ação", completou Buzyn, em entrevista à AFP, "são os profissionais que definirão a qualidade e o futuro de cada tratamento. Vamos pedir que os médicos particulares e os hospitais próximos trabalhem em conjunto” afirmou ela, destacando que a França é o único país que faz a absoluta diferença entre a medicina hospitalar e a liberal. Os blocos cirúrgicos e as maternidades serão reagrupados dentro do maior estabelecimento de uma região para dar uma maior segurança para os pacientes. “Isso poderá passar pelo fim de algumas atividades em alguns casos”, reconheceu o Eliseu, assegurando que “nada se perde, tudo se transforma”.