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Reaberto em Paris teatro que Edir Macedo tentou transformar em templo

Por Patricia Moribe

Paris ganha mais um endereço para grandes espetáculos: La Scala. Ou melhor, recupera, pois trata-se de um teatro construído para musicais no final do século 19 e fechado há 20 anos.

O pastor Edir Macedo bem que tentou abrir mais um gigantesco templo da Igreja Universal do Reino de Deus no local, mas perdeu o braço de ferro com a prefeitura de Paris. Recentemente, ele financiou sua própria vida no cinema e comprou milhares de ingressos, tornando-se sucesso de bilheteria no Brasil e de cadeiras vazias.

O ambicioso religioso comprou em 2000 o antigo teatro, com área de 1.800m², em pleno coração de Paris, no 10° distrito. O objetivo era construir uma igreja com 700 lugares, além de um estúdio de rádio e televisão. A então prefeitura de Paris, socialista como a atual, resistiu, negando os pedidos de reforma que não obedeciam aos regulamentos vigentes.

A igreja de Macedo, com 20 centros em Paris e oito mil espalhados em 182 países, segundo o site em francês, finalmente desistiu do imponente endereço parisiense. Em 1995, a igreja Universal do Reino de Deus havia sido citada por uma comissão parlamentar sobre seitas na França. Finalmente, em 2016, a prefeitura acabou com os sonhos do evangélico, ao conseguir classificar o teatro como edifício dedicado à cultura.

Depois de 20 anos fechado, a casa La Scala reabre suas portas em Paris. AFP/Joel Saget

Paixão e decadência

O La Scala foi construído em 1873 por uma viúva rica e apaixonada pelo Scala de Milão. O café-concerto de 1.400 lugares virou lugar obrigatório das estrelas da chanson francesa, como Mistinguett. Depois, o La Scala virou um teatro popular. Em 1936, reabriu como uma moderníssima sala de cinema. Em 1977, o La Scala se torna o primeiro multiplex pornográfico, dividido em cinco salas. A chegada do vídeo caseiro é o golpe derradeiro da degringolada e durante algum tempo viciados em drogas e sem-teto ocupam o espaço.

Em 2016, depois de algum tempo como elefante branco, um casal, Fréderic e Melanie Biessy, compra o local. Ela dirige um fundo de investimentos e ele é produtor artístico. O novo La Scala, com capacidade para 550 espectadores, pretende ser um local transdisciplinar, com teatro, circo, música e artes plásticas.

Para a inauguração, o acrobata, ator, malabarista e dançarino francês Yoann Bourgeois foi encarregado de montar um show. “A inspiração do espetáculo Scala foi, claro, o local, que também se chama Scala”, disse Bourgeois à RFI. “Meu ponto de partida foi o próprio teatro. O interessante é que o teatro renovado ainda não existia quando eu comecei a imaginar o que seria o espetáculo. Ou seja, houve um sincronismo perfeito entre a criação do espetáculo e da sala”.

Cena de "Scala", espetáculo criado por Yoann Bourgeois. Géraldine Aresteanu

Desafio à gravidade

No show Scala, Bourgeois utiliza a magia dos movimentos, de corpos que caem sem cair, que flutuam e desafiam a gravidade. “O que eu adoro no teatro é a sua dimensão física, lúdica, do artesanato de uma magia particular e talvez em vias de extinção, talvez um pouco fora de moda, mas que me encanta profundamente, que solicita, ou melhor, que faz acordar a criança que existe em mim”, relata o artista.

A cenografia do local foi confiada a Richard Peduzzi, colaborador fetiche do diretor de cinema, teatro e ópera, Patrice Chéreau. A programação diária do La Scala pode ser consultada no site do teatro: lascala-paris.com

Vídeoclip do show de Yoann Bourgeois:

 

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