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PSG lança criptomoeda e fãs poderão tomar decisões sobre o time

Por Marcos Lúcio Fernandes

O Paris Saint-Germain (PSG) se prepara para lançar sua própria criptomoeda – uma iniciativa inédita na área do esporte. Os fãs que aderirem ao movimento e adquirirem o dinheiro virtual do PSG terão acesso a diversas exclusividades e poderão ter voz nas decisões do time.

Os torcedores vão, por exemplo, escolher a cor do uniforme, em qual estádio os jogos amistosos ocorrerão ou mesmo interações dos jogadores com o público em campo. Tudo é novidade e as possibilidades são infinitas, como explica Alexandre Dreyfus, fundador do Socios.com, a plataforma que administrará a criptomoeda do PSG.

As equipes de futebol hoje em dia procuram inovações tecnológicas para permitir uma comunicação e um maior contato com seus fãs no mundo todo. A vantagem das criptomoedas, ou dos tokens, é ser global, ter um valor legal e um número limitado”, afirma o empresário.

A partir de agora, os fãs do PSG poderão comprar um "token", uma espécie de ficha digital, que dará acesso a vantagens VIP e, sobretudo, permitirá que ele vote quando o clube fizer um questionário. “É isso que os clubes queriam: criar um meio para escutar os fãs. O objetivo dos times é dar mais abertura para os fãs e ter mais contato com os torcedores”.

Dreyfus contou à RFI que o time italiano Juventus será o próximo a oficialmente fazer uso de uma criptomoeda e que até equipes brasileiras, cujos nomes não foram revelados, estão cogitando seguir o mesmo caminho. Ele acredita que, apesar da desconfiança com relação às criptomoedas, os torcedores serão convencidos pela inovação proposta.

O que vejo hoje, com a criptomoeda, é que estamos vivendo o equivalente a 1997: há uma desconfiança, da mesma forma que havia uma desconfiança quanto à internet. As pessoas não acreditavam na internet, diziam que era inútil, muito lenta, e hoje, vinte anos depois, ela está presente em todos os aspectos da vida”.

O fundador da plataforma Socios.com, Alexandre Dreyfus Waylon Johnston

Para Dreyfus, trata-se de uma inovação longe de ser perfeita, mas que deve ser acompanhada de perto. Ele reconhece que, há um ano, se posicionou contra as criptomoedas no Twitter, até que mudou de ideia sobre o assunto. “Me eduquei, tentei entender, li bastante, discuti. Claramente, hoje faço parte das pessoas que são a favor da criptomoeda. É uma iniciativa que está apenas começando.”

Criptomoedas desafiam economia da União Europeia

Philippe Dessertine, economista e diretor do Instituto de Altas Finanças, afirma que é preciso superar os preconceitos com as criptomoedas e prestar mais atenção em seu lado “comunitário”. “É evidente que quando falamos em Bitcoin, pensamos logo na utilização desse objeto pela máfia e pelo tráfico de armas. É assim que esse assunto é discutido hoje em dia. Mas se a criptomoeda fosse apenas isso, o G20, as maiores potências mundiais, não se interessariam pelo assunto. Esse fenômeno nos faz pensar sobre a maneira como financiamos a economia”, afirma.

As criptomoedas, para o economista, acompanham a demanda da nova geração: uma lógica de comunidade, segundo a qual a propriedade desaparece. No coração das criptomoedas, há a tecnologia do blockchain, uma espécie de sistema comunitário de transferência de valor, “algo que está revolucionando o planeta”. “Estamos apenas no começo e já é surpreendente. É a noção de ‘contribuição’, quando falamos de criptomoedas, é disso que estamos falando: a produção da moeda é, em primeiro lugar, voltada para o projeto em comum que estamos criando. Quer dizer que devemos repensar completamente a maneira como o Estado deve intervir”.

Segundo Philippe Dessertine, as criptomoedas desafiam a economia da União Europeia. “Existe a possibilidade de que nossas antigas moedas, que foram tão maltratadas, tenham colocado em questão a confiança que poderíamos ter nas finanças. A criptomoeda é o novo mundo que diz: podemos recuperar essa confiança de uma nova forma”.

A lógica de Philippe Dessertine é a seguinte: "caso a Amazon, por exemplo, lance uma criptomoeda, isso significa que qualquer um pode comprar em seu site, independentemente de onde estiver no mundo, com uma mesma unidade monetária. Nesse contexto, as pessoas podem começar a se interrogar: ‘Por que não recebo meu salário em ‘Amazon coin’?’".

"Isso significa que, de repente, temos uma coabitação entre as criptomoedas e as moedas tradicionais. Isso é algo a se pensar, não digo que é formidável, digo apenas que é algo que pode acontecer de uma hora para outra e qual seria a alternativa da União Europeia frente a um ‘Amazon coin’? Essa é a grande questão para o bloco europeu”, critica Philippe Dessertine.

Fã ou não do PSG, Alexandre Dreyfus definitivamente torce pela ascensão das criptomoedas e aposta nelas como o futuro das finanças. “Como indivíduo, me dou conta de que o dinheiro que tenho no banco não me pertence. Meu banco está sempre me perguntando se vou utilizá-lo, para fazer o quê e como. Tenho a impressão de que a próxima ruptura da indústria será nas finanças. E é nesse contexto que as criptomoedas poderão trazer um benefício”, diz. Agora é esperar para ver se as criptomoedas vão marcar esse gol.

A RFI tentou falar com o PSG, mas não obteve resposta até o fim dessa edição.

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