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Cristiana Reali encena Tennessee Williams em Paris

Por Patricia Moribe

A atriz brasileira Cristiana Reali, que vive na França desde o início dos anos 1970, vive atualmente em Paris um dos personagens mais marcantes do dramaturgo americano Tennessee Williams. Ela é Amanda Wingfield, da peça “Ménagerie de Verre” (“Glass Menagerie”, no original), que no Brasil já foi montada como “Zoológico de Vidro”, “Algemas de Cristal” e “À- Margem da Vida”.

Estamos na América dos anos 1930, mergulhada na Depressão. Amanda Wingfield vive com seus dois filhos adultos -Tom e Laura - em um triste e sombrio apartamento. Tom é o narrador, um alter ego de Williams. Trabalha para sustentar a família, mas seu sonho é virar escritor. Já Laura é uma jovem introvertida, marcada pela perna defeituosa, que vive num mundo de fantasia com suas miniaturas de animais em vidro, daí o nome da peça.

“Amanda é uma mãe, todas as mães misturadas, possessiva, que abusa um pouco, é extravagante, mas, ao mesmo tempo, ela ama muito os filhos, faz tudo por eles”, conta Cristiana Reali, em entrevista exclusiva à RFI Brasil. “Ela ainda vive no passado, numa época em que ela era jovem, rica, com vários pretendentes. Para mim é como uma Scarlett O’Hara que não deu certo, que acabou sozinha, pobre e abandonada”, diz, referindo-se à personagem do livro e filme “...E o Vento Levou”.

“Fui me preparando aos poucos, fazendo outras mães”, explica. “Em cada cena, é uma mãe diferente, por isso digo que são todas as mães. Tem a mãe que dá bronca, que se preocupa com o futuro dos filhos, que fala de seu passado, a mãe magoada, abandonada…”.

O papel veio como um convite. “Achei que eu ainda poderia esperar uns dez anos para fazer Amanda, mas a diretora [Charlotte Rondelez] queria justamente uma mãe que ainda teria tempo de refazer sua vida, mas que vive numa situação em que isso não será possível”.

Cristiana Reali é um rosto conhecido na França, principalmente por causa dos trabalhos feitos para a TV, entre filmes e séries. Ela foi também garota propaganda da marca Lancôme. “Eu acho que por causa da TV, as pessoas são atraídas para o teatro. Espero”, diz.

Ela também fez cinema, mas a sua grande paixão sempre foi o teatro, que ela fez desde pequena, na escola. Com 53 anos hoje, Cristiana chegou à França com 8 anos, acompanhando a família. Seu pai foi o jornalista Reali Jr. Ela começou a estudar Direito, um curso que poderia continuar no Brasil, caso se concretizasse a vontade dos pais de voltar para São Paulo. Mas o chamado do palco foi mais forte e hoje, devido à notoriedade que alcançou, ela gosta de escolher bem as peças que faz.

A peça está em cartaz no Théâtre de Poche de Montparnasse, espaço badalado entre intelectuais e artistas. “É como um laboratório, sem estrelas. E pelo fato de ser um espaço pequeno, não temos a preocupação de encher a sala, isso é mais fácil, e o trabalho do ator é valorizado, vem em primeiro plano. Além disso, o público está muito próximo, o que para mim é dificil esquecer que ele está ali”, ri Cristiana.

Bastante elogiado pela crítica especializada, “Ménagerie de Verre” fica em cartaz até 13 de janeiro de 2019.

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